Faltam frutas e verduras. Sobram preços
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Está cada vez mais difícil garantir a salada e os refogados de legumes e verduras das refeições de todos os dias. Por causa do excesso de chuva alternado com dias de muito calor, causados pelo fenômeno El NiÀo, a produção de hortaliças sofreu quebra de 50% na região de Londrina. A informação é da Associação Norte-Paranaense de Horticultores (Apronor), que reune 2,3 mil produtores que comercializam sua produção na Ceasa do município.
O resultado reflete no bolso do consumidor que, quando encontra os legumes e verduras de sua preferência, paga até 190% a mais. A abobrinha, por exemplo, subiu quase 200% desde o início do ano; alface, cheiro verde e chuchu valorizaram 100%; a beterraba custa 48% mais e a cenoura subiu 35%. ''Em média, a alta é de 50%'', comentou Antônio Roberto Zaparoli, gerente da Apronor.
Ele informou que o volume comercializado na Ceasa tem sofrido redução de até 25% nos três dias da semana em que o mercado é forte. ''A circulação era de 800 toneladas por dia. Atualmente não passa de 600 toneladas'', disse.
Para conseguir manter a dieta, consumidores têm de se virar. O aposentado João de Souza aproveita o passe livre de ônibus (garantido às pessoas com mais de 65 anos) para pesquisar o preço das verduras e legumes em vários supermercados da cidade. ''Como não posso comer muita carne, estou comprando os produtos que encontro com preço mais baixo'', afirmou, acrescentando que está difícil encaixar o gasto no orçamento. ''É um absurdo o quilo da cenoura custar mais que o quilo do frango'', criticou.
O mesmo problema incomoda a vendedora Carmita Ross, que procura as promoções das redes varejistas para abastecer sua geladeira com legumes e verduras. ''Está difícil fazer compra'', reclamou. Para garantir alimentos frescos e naturais à famíla, ela aumentou o consumo de frutas: ''Estão mais baratas.''.
Para fugir dos preços altos, a dica é buscar os vegetais que gostam de calor, são encontrados com mais abundância e, por isso, não estão muito caros. O repolho valorizou 7,4% desde janeiro, enquanto o pimentão subiu 11%. ''Jiló e berinjela estão fáceis de encontrar'', acrescentou o agricultor Antônio Katsutoshi Koga, presidente da Apronor.
Não há expectativa de regularizar o fornecimento a curto prazo. Segundo Koga, os preços das folhosas devem cair em 40 dias. Já os legumes e tubérculos ficam mais baratos em dois ou três meses. ''Só quando parar de chover muito e começar a refrescar'', adiantou.
Frutas - Apesar de virem de outros Estados, as frutas comercializadas na Ceasa de Londrina também estão mais caras. ''Há excesso de chuva e calor nas regiões produtoras'', argumentou Clóvis Tsusaki, presidente da Associação dos Atacadistas da Ceasa. A principal vilã é a laranja, cuja caixa subiu 140%, passando de R$ 10,00 para R$ 24,00. ''A fruta está sendo exportada, por isso o preço interno tem de acompanhar o dólar'', explicou.
A banana, segundo Tsusaki, vai pelo mesmo caminho. ''O Brasil começou a exportar para a Argentina. A tendência é subir'', disse. A chegada do inverno, porém, deve baratear o preço das frutas da época, como maçã e banana. ''É a lei da oferta e da procura. Quando entra a safra, o preço cai'', analisou.


