Deficientes visuais esbarram na falta de cursos de capacitação para conquistar maior autonomia. A afirmação é do presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina (Adevilon), Antônio Carlos Ferreira, que aponta que a legislação atual criou cotas para deficientes nas empresas, mas não previu benefícios para empresários que qualificassem esse público com o objetivo de contratá-los.
Ferreira explica que os empresários dificilmente realizam treinamentos de deficientes visuais porque teriam de investir em adequações no ambiente de trabalho para eliminar barreiras arquitetônicas e para adaptar cursos de treinamento.
''Essas modificações geram gastos que nem todos os empresários estão dispostos a desembolsar'', diz ele. Ferreira conta que muitas vezes os empresários acabam contratando pessoas para preeencher a cota, mas acabam dispensando o funcionário por não atender as expectativas.
Outro problema identificado pelo presidente da Adevilon é que os próprios deficientes visuais não investem na capacitação por medo de perder o benefício de proteção continuada do governo federal, concedido apenas àqueles que não possuem emprego. ''A situação já é difícil para quem possui deficiência e se ela ficar sem o emprego e sem o benefício fica mais complicada ainda'', analisa. Ele explica que não é fácil reconquistar o benefício, pois o trâmite burocrático torna o processo muito demorado.

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