Curitiba A portaria do Ministério da Agricultura que exige a rastreabilidade na compra de animais para exportação entrou em vigor ontem em todo o País, mas os frigoríficos tiveram dificuldades para comprar esses animais. No Paraná, os dois frigoríficos exportadores, o Margem, de Paranavaí, e o Amambai, de Maringá, não conseguiram comprar animais com rastreabilidade.
Com isso, o mercado ficou parado à espera do que vai acontecer. Não houve cotações para o boi gordo. Uma reunião realizada na semana passada no Ministéiro da Agricultura decidiu pela ''prorrogação branca'' por 15 dias da entrada em vigor da portaria. Na reunião, ficou decidido que serão aceitas as informações das propriedades rurais como comprovação de origem dos animais. E a partir de 1º de outubro, só serão aceitos para o abate animais inseridos e identificados no SISBOV - Sistema de Rastreabilidade Bovina com 15 dias de antecedência.
Os frigoríficos exportadores alegam que se não houver animais com rastreabilidade para vender, as exportações serão suspensas e o abate será destinado somente para o mercado interno. Com isso vai ocorrer um aumento na oferta de carne e a tendência do preço do boi é cair, diz Celso Bianchi, gerente administrativo do Frigorífico Margem. A empresa abate 12 mil animais por mês e 60% dessa produção são destinados à exportação. O Frigorífico Amambai abate 800 animais por dia e 70% são destinados à exportação.
O problema é que os criadores estão resistindo em rastrear os animais para evitar elevar os custos. Atualmente o Ministério da Agricultura credenciou apenas sete empresas certificadoras que cobram pelo serviço da rastreabilidade. As empresas cobram entre R$ 4,00 a R$ 5,00 a certificação por animal, uma taxa de inscrição no valor de R$ 75,00 a título de visitas de veterinários às propriedades e mais R$ 1,00 pelo custo do brinco.
''Só que no final das contas quem vai dar todas as informações para o cadastro será o criador'', disse o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz. Para ele, as empresas vão ganhar em cima de um controle do rebanho que o criador já faz na propriedade. Mas o que os criadores querem mesmo é serem remunerados com um diferencial para cobrir os custos da rastreabilidade.
Segundo Ruiz, frigoríficos de outros estados já estão oferecendo uma diferença entre R$ 1,00 a R$ 2,00 por animal destinado à exportação. Os produtores querem que esse diferencial seja por arroba. Ruiz disse que os frigoríficos que recebem em euro precisam repartir esse diferencial com os criadores, que arcam com os custos da rastreabilidade.
Na visão de Bianchi, do Frigorífico Margem, se os criadores investirem agora na rastreabilidade eles vão evitar a desvalorização do boi gordo no curto prazo. E mais à frente, à medida que os países da Comunidade Européia se certificarem que o Brasil só vende carne de bois rastreados vão ampliar as encomendas e certamente vão pagar mais pelo produto. ''É aí que o criador vai ganhar, porque essa valorização será repassada'', disse.

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