Embora os empresários brasileiros estejam sensibilizados quanto às ações de responsabilidade social, ainda falta muita ação. A afirmação é da pesquisadora Cláudia Mansur, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Ontem à noite, ela ministrou palestra na Sala de Sessões da Câmara de Vereadores sobre o tema ''Responsabilidade Social Corporativa''. Participaram mais de 70 pessoas, entre vereadores, empresários e comunidade acadêmica.
Cláudia é articuladora da Campanha do Balanço Social Modelo Ibase. A entidade foi criada em 1981 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, morto em 97. Neste mesmo ano, Betinho lançou o modelo de balanço social das empresas e, no ano seguinte, foi instituído um selo social. Até hoje, 291 empresas de grande porte apresentaram o balanço social nos moldes sugeridos pelo Ibase. Desde então, 17 empresas paranaenses foram certificadas como ''empresa social'', entre elas a Sercomtel Telecomunicações, Sercomtel Celular, Milênia Agro Ciência e Copel.
Para conceder o selo, o Ibase analisa questões como investimentos sociais internos; indicadores sociais externos; fatores ambientais como a redução de resíduos; informações sobre o quadro de funcionários e fatores que avaliam o exercício da cidadania empresarial como padrões de segurança e salubridade no ambiente de trabalho, entre muitos outros itens.
O Ibase não atesta a veracidade das informações apresentadas. No entanto, é preciso seguir alguns requisitos como publicar o balanço social em jornais ou revistas de grande circulação; indicar um nome, telefone e e-mail de um funcionário da empresa que atue como contato para tirar-dúvidas; e enviar esse balanço a todos os seus empregados. ''O que as empresas fazem hoje é uma mistura de marketing com responsabilidade social'', define Cláudia. Segundo ela, as empresas que fazem o balanço social do Indese geram mais de 1 milhão de empregos e, a maioria, é estatal.
RESULTADOS - Embora seja difícil mensurar os resultados dos investimentos em responsabilidade social, a pesquisadora cita que o público está preocupado com a questão e que isso traz dividendos às empresas. Segundo ela, a Bovespa criou o Fundo Ethical que é formado por ações de empresas que se dizem socialmente responsáveis. No ano passado, o rendimento médio foi de mais de 20%, índice superior ao rendimento da bolsa.
Ela citou o caso de um fabricante multinacional de tênis que acumulou prejuízos depois da divulgação que a empresa utilizava mão-de-obra infantil na Ásia, onde estão instaladas suas fábricas. No Brasil, os consumidores também se dizem preocupados com a questão. O Ibase realizou uma pesquisa na internet e o resultados foram os seguintes: 83,7% das pessoas afirmaram que deixaram de comprar produtos ou serviços de empresas que não são socialmente responsáveis; 74,8% ainda afirmaram que levam em conta a responsabilidade social.
''Investimentos em responsabilidade social podem até não render lucros, mas a empresa certamente vai deixar de perder. É um movimento sem volta e a empresa que não se inserir vai ficar para trás, vai perder mercado e clientes'', avalia Cláudia.

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