Falta vacina às vésperas do anúncio oficial da OIC
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Eduardo Magossi Agência Estado 
Um atraso de quase 15 dias na liberação de um lote de vacinas contra aftosa por parte do Ministério da Agricultura fez com que muitas revendas do Circuito Pecuário Centro-Oeste, principalmente nos Estados de São Paulo e Goiás, ficassem sem vacinas para atender à demanda das cooperativas agropecuárias e dos pecuaristas.
No Estado de Goiás, o diretor do Departamento de Defesa Agropecuária, Fábio Soares, chegou a afirmar, antes de embarcar para a reunião do Escritório Internacional de Epizootias (OIE), em Paris, que iria pedir ao Ministério da Agricultura a prorrogação da campanha de vacinação contra aftosa de maio, que deve se encerrar dia 31.
Soares disse que não adianta conscientizar o pecuarista sobre a importância da vacinação contra aftosa se existe problema na distribuição de vacinas.
Segundo Ítalo Effelin, assessor da Diretoria de Defesa Agropecuária de Goiás, o pedido de prorrogação da campanha de vacinação de maio ainda poderá ser feito caso se constate que os quase 15 dias que os postos de venda ficaram sem vacinas afetaram a programação de vacinação dos pecuaristas.
Até o momento, ainda não temos um balanço de como está ocorrendo a vacinação, mas a oferta de vacinas apenas começou a se normalizar no dia 20 de maio, disse.
A assessoria do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindam) informou que um lote de 21 milhões de doses de vacinas foi liberado no dia 17 de maio. O presidente do Sindam, Nelson Antunes, está em Paris, na reunião do Escritório Internacional de Epizootias (OIE) e não pode ser contatado.
O Sindam garantiu, através de sua assessoria, que o atraso na liberação das vacinas contra a aftosa não chegou a desabastecer os pontos de vendas do Circuito Pecuário Centro-Oeste. Porém, várias cooperativas tiveram dificuldades em obter o produto.
Antonio Chavaglia, presidente da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Goiano (Comigo), localizada em Rio Verde (GO), afirma que a cooperativa enfrentou dificuldades para encontrar vacinas para realizar a campanha de vacinação de maio, a primeira etapa de 2000, onde são vacinados os animais até dois anos de idade.
É um absurdo faltar vacina em um momento importante como este, disse. Segundo ele, a cooperativa só conseguiu comprar as vacinas depois de consultar vários revendedores, já que o fornecedor tradicional não tinha lotes suficientes para atender a toda demanda da cooperativa.
A mesma dificuldade foi encontrada pela Cooperativa Agropecuária de Piracanjuba, também em Goiás. Segundo o presidente da cooperativa, Hugo Vargas, os pedidos de vacina começaram no final de abril e apenas foram regularizados nesta semana. Além disso, Vargas informou que não conseguiu obter as embalagens com maior número de doses. As vacinas apenas foram encontradas em embalagens de 50 doses, disse.
Para Felício Luisari, presidente da Cooperativa Agropecuária de Presidente Prudente (SP), a falta de vacinas foi fruto de um desequilíbrio entre oferta e demanda que não pode acontecer dentro de um programa sério de erradicação de aftosa. A oferta de vacinas não pode acabar em um período onde a demanda aumenta, disse, reiterando que, desta vez, a escassez temporária não deve ter provocado mais danos.
O Sindam, através de sua assessoria, informou que a escassez de vacinas foi provocada, em conjunto, pela greve dos caminhoneiros e pelo fato de os Estados do Mato Grosso do Sul e Tocantins terem antecipado a vacinação no mês de abril.
Apesar de já ter sido antecipada por um discurso do ministro Pratini de Moraes, ontem em Paris, o Escritório Internacional de Epizootias (OIE) deve declarar o Circuito Pecuário Centro-Oeste área livre de aftosa com vacinação de forma oficial hoje.
Encontram-se em Paris o ministro da Agricultura, representantes da Secretaria de Defesa Agropecuária Federal, representantes dos Departamentos de Defesa Agropecuária dos sete Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste, deputados federais e estaduais, representantes de entidades do setor pecuário e do setor privado, representantes da indústria de vacinas, num total de mais de 200 pessoas que pretendem festejar o certificado da OIE.


