Falta suporte à comercialização
São vários os fatores que resultaram na queda do preço da saca do milho mesmo antes do início da grande safra, que começou a ser colhida nos últimos dias. De acordo com analistas de mercado, a falta uma política de sustentação de preços, as poucas chances de exportação e as poucas opções de armazéns estão entre as causas dessa queda.
Para o analista Tony Silva, a queda no preço da saca já era esperada, graças a grande safra. Porém, ele acredita que o baixo número de exportações foi fundamental para a antecipação da queda, pois o produtor não tem alternativa de mercado e acaba ficando à disposição do comprador. Somente este ano, o Brasil conheceu o caminho das exportações, mas, mesmo assim, ainda não é o suficiente, completa.
Tony Silva diz que o Brasil deveria usar as mesmas armas que os americanos para concorrer no mercado externo. Ele explica que, contrariando a Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo americano paga o diferencial aos produtores que não conseguem vender o produto a um preço suficiente para cobrir seus gastos e terem um pouco de lucro. Se o produtor vende a saca por R$ 7,50, quando o ideal seria R$ 9,00, o governo americano fica responsável pelo ressarcimento dessa diferença. O governo brasileiro deveria agir da mesma forma, ressalta o analista.
Tony acrescenta que outros dois itens contribuíram para a queda na saca do milho. O primeiro seria a falta de um mercado futuro, ou seja, uma bolsa de mercado, onde o produtor poderia vender sua colheita em partes, durante o ano. O segundo é a falta de armazéns próprios para os produtores, que são obrigados a entregar a produção para os poucos armazéns existentes.
De acordo com o analista de mercado, Camilo Motter, a preocupação dos produtores, à medida em que a colheita avança, está sendo o local de entrega do produto, já que os consumidores estão ofertando um preço para compra considerado baixo pelos produtores. Por outro lado, os preços cobrados para o beneficiamento (secagem e limpeza) e armazenagem do produto, para comercialização futura, está sendo considerado inviável.





