Brasília - O governador do Paraná, Roberto Requião, voltou a condenar ontem a decisão do governo federal de liberar o plantio e comercialização da soja transgênica no Rio Grande do Sul, na atual safra. ''Falta só liberar a maconha'', afirmou. O governador disse que no Paraná a soja transgênica não entra. ''Só selada e lacrada'', disse.
Requião justificou sua decisão de impedir o trânsito de caminhões com soja transgênica no Estado lembrando que está apenas cumprindo a medida provisória do governo que confinou os transgênicos ao Rio Grande do Sul.
As declarações de Requião, que esteve em Brasília para ser condecorado com a Ordem do Mérito Aeronáutico, provocaram a resposta do vice-líder líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). Ele disse que o governador ''passou dos limites'' ao criticar a decisão do governo. ''É inaceitável a comparação infeliz que ele faz sobre a droga, porque se tem alguém que entende de drogas, deve ser ele, não nós do governo.''
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva preferiu não alimentar a polêmica. ''É claro que são níveis de irregularidades que, do ponto de vista legal, não podem ter diferença. É claro que, em termos substanciais, pode até haver diferença. Mas do ponto de vista legal, não há diferença. Então a lei tem que ser cumprida de acordo com o que prescreve a legislação'', disse.
O governador do Paraná, Roberto Requião, convidou o governador do Mato Grosso, Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, a fazer uma sopa com a soja transgênica encontrada na barreira montada em seu Estado. ''Não estou impedindo o trânsito, apenas cumprindo a lei que obriga a certificação dos produtos'', disse Requião, em resposta à liminar pedida no Supremo Tribunal Federal para o desbloqueio dos caminhões.
Para o governador do Paraná, a liberação da soja geneticamente modificada é um mau negócio. ''Nossa produtividade é de 30% a 40% acima da americana e temos preço muito melhor com a soja tradicional do que com a transgênica'', argumentou.

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