Não existe semente de feijão fiscalizada para o próximo plantio e a preocupação é com a falta de grão comercial para o plantio. Para o técnico da Organização das Cooperativas do Paraná, Flávio Turra, em função da alta no preço do feijão, todo o estoque disponível do produto no Estado está sendo comercializado e os agricultores não estão retendo grãos para formar as lavouras. Com isso, a elevação no preço da semente fiscalizada no Estado já é de 30%.
No mês passado, a saca de 60 quilos de semente fiscalizada era vendida por R$ 60,15, em média no Paraná. Esta semana, o preço médio no Estado era R$ 78,22 a saca de 60 quilos do feijão de cor. Já a semente comum, teve uma queda de 13,5%. No mês passado, a média negociada era R$ 41,50 a saca e ontem estava a R$ 36,38 a saca.
A Associação Paranaense dos Produtores de Sementes (Apasem) disse que a produção de sementes fiscalizadas de feijão é inexpressiva. Atualmente são produzidas cerca de 50 mil sacas, que seriam suficientes para o plantio de 50 mil hectares, avaliou o diretor executivo da Apasem, Eugênio Bohatch. Como esse ano o plantio poderá superar os 500 mil hectares no Estado, certamente faltará semente e mesmo o grão para o plantio. Segundo Bohatch, quem não conseguir comprar a semente e não guardou semente para o próximo plantio, terá que recorrer aos cerealistas para comprar o grão.
Para evitar maiores transtornos, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e a Ocepar estão negociando com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a análise do feijão que está em poder do órgão, para saber se o produto tem poder de germinação. A Conab mantém um estoque de 11 mil toneladas de feijão no Paraná, mas esse volume está comprometido com a distribuição de cestas básicas aos municípios, em atendimento ao programa Comunidade Solidária.
Cerca de 9 mil toneladas dos estoques de feijão da Conab estão em poder das cooperativas que já começaram a fazer a análise de qualidade dos grãos, para efeito de germinação. Para o diretor do Departamento de Economia Rural, da Seab, Norberto Ortigara, a Conab poderá liberar apenas uma parte desses estoques, porque eles já estão comprometidos com o programa federal de distribuição de cestas básicas.
Normalmente, entre 6% e 7% do plantio de feijão no Paraná é realizado com semente fiscalizada. O restante da área é plantado com grão comum. ‘‘Neste ano, a alta nos preços do feijão pode gerar uma ‘ euforia’ no plantio, que poderá ser frustrada com a falta de sementes’’, disse Turra. O corretor de feijão Marcelo Luders também alerta os produtores para o efeito ‘‘perverso’’ de uma euforia. ‘‘Pode haver o plantio de uma supersafra e o excesso de oferta no ano que vem pode provocar uma queda livre nos preços entre os meses de dezembro/98 e janeiro/99, e o produtor poderá amargar pesados prejuízos’’, comenta.Arquivo FolhaEuforiaBons preços podem estimular aumento da área, que poderá ser frustrado por causa da falta de sementesVânia Casado

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