Curitiba - Os agricultores familiares estão apreensivos com a falta de dinheiro novo para custear o plantio da safra 2004/2005. Segundo o diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Mário Plefk, dos R$ 7 bilhões anunciados para a agricultura familiar, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), até agora nenhum contrato novo foi assinado no Paraná. ''Apenas os contratos antigos estão sendo renovados'', admitiu.
O secretário nacional do Pronaf, Valter Bianchini, que esteve ontem em Curitiba, concordou com a escassez de recursos principalmente nas agências do Banco do Brasil para os agricultores do grupo D, com renda entre R$ 15 mil a R$ 40 mil. Bianchini disse que hoje deverá avaliar esse quadro em Brasília e prometeu solicitar ao Ministério da Fazenda um remanejamento dos recursos de outras fontes como os alocados para o Sistema Sicredi (cooperativas de crédito), que estão com pouca procura.
De acordo com a Fetaep, nenhum dos 25 mil novos contratos para financiamento de custeio da próxima safra que absorveriam cerca de R$ 100 milhões foi assinado até agora. A preocupação é que o prazo de plantio para cultivo de alimentos começa a se esgotar em algumas regiões do Estado e os agricultores não conseguiram o crédito para plantio, disse Plefk.
Além disso, os agricultores que financiaram o custeio pelo Pronaf C no ano passado não estão conseguindo elevar o valor dos empréstimos este ano, embora o governo federal tenha elevado o limite de R$ 2,5 mil para R$ 3 mil por agricultor. Plefk disse que a renovação dos créditos está ocorrendo nos mesmos valores e limites do ano passado, apesar dos custos de produção terem se elevado em até 40%. Para o sindicalista, a situação está empurrando o agricultor a plantar área menor ou usar pouca tecnologia, explicou.
O Paraná deveria receber R$ 700 milhões para financiar a agricultura familiar, cerca de 10% dos recursos anunciados para o País, dinheiro suficiente para realizar 150 mil contratos. A informação que circula entre os agricultores familiares, segundo Plefk, é que o dinheiro prometido ao Paraná está sendo deslocado para os estados do Nordeste. ''Se não houver liberação de recursos para contratos novos até o dia 30, a Fetaep não descarta organizar uma caravana até Brasília'', disse.
Bianchini acredita que os recursos podem ser remanejados de outras fontes para atender 40 mil novos contratos no Paraná, totalizando 170 mil agricultores familiares beneficiados este ano no Estado.

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