Falta ousadia ao BC, avaliam especialistas
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O corte na taxa básica de juros da economia, a Selic, promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi acima do que o mercado esperava. A previsão era de uma redução de 0,75 ponto percentual, mas a taxa caiu de 13,75% ao ano para 12,75%. Os especialistas e entidades consultadas pela Folha acreditam que os juros poderiam estar em patamar mais baixo. Apesar da redução, a previsão é que o impacto na economia real - que envolve geração de emprego e produção - demore de seis a nove meses.
Para o consumidor, já começa a aparecer os primeiros reflexos. Ontem, alguns bancos anunciaram redução de juros, o que impacta as compras a crédito e os financiamentos. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, disse que o Copom ainda mantém uma política de juros muito conservadora.
Apesar disso, ele acredita que esta queda de um ponto percentual é importante, apesar de não resolver a crise. Ele destacou que o governo precisa tomar outras medidas para minimizar o impacto da crise como gerar e manter empregos e investir em infraestrutura.
Para o presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a redução da Selic terá um impacto muito pequeno nas operações de crédito. Ele explicou que isso acontece porque há um deslocamento grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas do consumidor que, na média da pessoa física, atingem 137,91% ao ano, provocando uma variação de quase 1.000% entre as duas pontas. Em algumas financeiras em linhas de empréstimo pessoal estas taxas chegam a atingir mais de 1.500% ao ano.
Com a redução anunciada pelo Copom, a taxa média anual para a pessoa física passa de 137,91% para 135,80%. Os juros mensais caem de 7,49% para 7,41%.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, considerou a decisão do Copom um avanço, mas disse que haveria espaço para o Banco Central ser mais ousado. ''A melhor sinalização de que há preocupação em evitar uma recessão no País seria reduzir a Selic em dois pontos percentuais'', disse.
Empresários ligados ao Sistema de Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), criticaram a decisão do (Copom), por reduzir em apenas um ponto percentual a taxa básica de juros do País. ''Nós esperávamos mais ousadia do Banco Central, uma sinalização mais forte de que o governo quer fomentar a atividade econômica'', disse o presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), Ardisson Naim Akel.
Ele lembrou que países desenvolvidos tiveram cortes substanciais em suas taxas, enquanto que no Brasil esse corte foi muito tímido. ''O Banco Central deveria ser mais incisivo. Vamos esperar a ata do Copom para ver se a tendência será de baixa. Em março há uma oportunidade de se mexer novamente na taxa''.
Do ponto de vista da Força Sindical, a queda nos juros é tímida e insuficiente para impulsionar a economia, que passa por um momento delicado. A entidade considera que ''o governo acertou no remédio, mas errou na dose''. A expectativa dos trabalhadores era de uma queda de pelo menos dois pontos percentuais.
Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, a decisão compromete a economia no primeiro semestre. ''Como a inflação e a atividade econômica estão em desaceleração, perdemos uma ótima oportunidade de reduzir drasticamente a taxa Selic e dar uma injeção de ânimo no setor produtivo, que sofre com a escassez de crédito no mercado'', disse.
Ele defende que ''é preciso baixar drasticamente os juros para que a economia possa voltar a crescer e ter condições de criar novos postos de trabalho'', destacou.


