Apesar do crescimento econômico e dos avanços alcançados pela classe média ainda há dificuldade de poupar, seja por falta de renda suficiente ou por hábito. O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse que muitas famílias não conseguem atender as necessidades básicas e ter uma poupança.
Ele lembrou que a classe média tem se endividando para adquirir itens que não tinha e são necessários para o bem-estar da família. Já o consultor financeiro Raphael Cordeiro acredita que, muitas vezes, essa faixa da população não consegue poupar porque tem gastos elevados com escola particular, plano de saúde, empregada doméstica e carro. Muito diferente de quem não tem carro, usa os serviços do posto de saúde e tem os filhos em escola pública.
Para ele, poupar também é uma questão de comportamento. ''A pessoa que não tem objetivos não tem motivação para poupar'', destacou. O consultor recomenda uma poupança de 10% a 15% da renda mensal para a aposentadoria. Para situações como a compra de um imóvel, o nível de poupança precisa ser ainda maior e chegar a até 30% da renda mensal. ''A definição do objetivo é importante. Precisa ter razão para a pessoa sofrer, ou seja, economizar'', destacou.
Pagador
A classe média é a fatia da população que mais paga impostos. Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), mostra que estes contribuintes são responsáveis por 65% da arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e 50% do que vai para os cofres públicos com pagamento de IPTU e IPVA.
''Essa classe tem um padrão de consumo que a incidência tributária é maior e compra produtos como automóveis, perfumes, alimentos industrializados e eletroeletrônicos'', destacou o tributarista e coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral. Ele lembrou que a classe média é tributada na renda (IR), no consumo e no patrimônio (IPTU e IPVA). Com isso, 43% da renda bruta destas pessoas vai para o pagamento de impostos.

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