Falta milho para pequenos criadores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de outubro de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Pequenos criadores de suínos do Sudoeste e de aves de postura da região Norte do Estado estão em pânico com a falta de milho no mercado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi acionada para atender essas praças, mas diante da escassez do produto, o órgão está atendendo por região onde ainda tem disponibilidade do produto no Paraná.
A única disponibilidade de milho da Conab até o momento está no armazém de Assis Chateaubriand, no Extremo-Oeste, que tem um volume de 4,5 mil toneladas. Na primeira quinzena do mês, o órgão disponibilizou 500 toneladas para venda em balcão, já esgotadas. Nesta segunda quinzena, o órgão colocou outras mil toneladas em disponibilidade. Pela procura que está ocorrendo, o gerente da Conab-PR, Lafaete Jacomel, já avisou que esse volume poderá ser esgotado antes do final do mês.
Segundo Jacomel, a Conab-PR tem disponível um volume de 11,7 mil toneladas de milho, concentradas nos armazéns da região Oeste. Portanto, somente nessa região é que devem ocorrer as vendas em balcão, onde o órgão coloca a venda de somente 10 toneladas por mês, por pequeno produtor. Neste sistema, a Conab está vendendo a saca por R$ 18,81, preço inferior ao vigente no mercado, que chega a até R$ 22,00. O atendimento da Conab às demais regiões, fica prejudicado por causa da dificuldade que o pequeno produtor tem em arcar com os custos de transporte. O resultado da soma do custo do milho mais o custo do transporte inviabiliza a compra pelos pequenos produtores que estão em regiões distantes do Oeste, admite Jacomel.
O milho se transformou num ativo real, atrelado ao dólar, daí o empenho dos agricultores em segurar o que resta da safra e da safrinha colhidas neste ano. Conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, está em poder dos produtores um volume avaliado em 1,2 milhão de toneladas de milho para serem ofertadas até fevereiro, quando a safra 2002/03 começa entrar no mercado.
Segundo a engenheira agrônoma, Vera da Rocha Zardo, do Deral, o volume disponível daria para um consumo de 340 mil toneladas por mês, o que é insuficiente para atender o consumo no Estado. Só o setor da pecuária consome mensalmente 450 mil toneladas do cereal. Além desse setor, as indústrias de alimentos e a pressão de compra por outros Estados elevam ainda mais esse consumo.
Daqui para frente, começa a se intensificar a pressão pelo produto e a situação deve se agravar ainda mais admite Jacomel, da Conab. Os pequenos produtores já estão articulando importações de milho do Paraguai para suprir o consumo.


