Por falta mão-de-obra, a expansão do algodão será menor em algumas regiões do Paraná. Em Paranacity (66 km ao norte de Maringá), onde a expectativa é que a área aumente de 2,5 mil hectares para 4 mil hectares, a disponibilidade de trabalhadores não deve acompanhar o crescimento das lavouras. ''Provavelmente, vai faltar gente para trabalhar'', comentou Esmael Teodoro da Silva, engenheiro agrônomo do entrepostos da Cocamar Cooperativa Agroindustrial.
Segundo ele, muitos trabalhadores rurais foram embora da região no início da década de 90, quando o algodão deixou de ser plantado no Estado. Almir Montecelli, presidente da Cooperativa Central do Algodão (Coceal), em Ibiporã, revelou que o problema é geral no Paraná. ''Os trabalhadores foram para a cidade e até mesmo para outros países. O Estado perdeu 400 mil postos de trabalho'', afirmou.
Para ele, a dificuldade na contratatação de mão-de-obra pode inibir o crescimento da cultura. ''Se não fosse esse problema, o algodão não teria diminuído tanto no Estado'', comentou, lembrando que o Paraná já cultivou 700 mil hectares. Para a próxima safra, a previsão é que 50 mil hectares sejam semeados.
Em busca de soluções, grupos de produtores se organizam para viabilizar a colheita mecânica. As máquinas, explicou Montecelli, são alugadas de produtores da região Centro-Oeste do País, onde a colheita é tardia.
Conforme Esmael, o custo é o mesmo da colheita manual, em torno de R$ 2,50 a R$ 3,00 por arroba, o que representa 11% do custo total da lavoura. O problema é que a máquina não pode ser utilizada em áreas pequenas ou com muitos declives no relevo. Nesses casos, a única opção é a colheita manual.
A desvantagem da colheita mecanizada, segundo Montecelli, é que o algodão tem que ser colhido de uma só vez. Como as ''maçãs'' da planta levam até 30 dias para abrir, ficam expostas ao risco de chuva até a lavoura chegar ao ponto de colheita. ''Utilizando trabalhadores, a colheita pode ser gradual'', disse. Por outro lado, as colheitadeiras garantem padrão ao produto, que apresenta melhor qualidade.
Na região de Uraí, a Cooperativa Integrada pretende viabilizar o aluguel de equipamentos para colher a safra da região. O engenheiro Francisco Leopoldo Piccioni, técnico da cooperativa no município e responsável por procurar as máquinas para aluguel, diz que o maquinário tem potencial para colher entre 300 e 350 hectares durante o período da safra. Por isso, o negócio só é viável se o aluguel for pago por grupos de pequenos e médios produtores. Por dia, o equipamento colhe de 1,5 mil a 2 mil arrobas, substituindo o trabalho de 200 pessoas.
Em Paranacity, o técnico e produtor Roberto Zucolli também está organizando um grupo. ''O produto resultante da colheita mecanizada é de melhor qualidade'', confirmou. Segundo ele, outro fator que dificulta a utilização de mão-de-obra é a legislação trabalhista. ''Os encargos são caros e a lei invibializa a contratação de diaristas'', justificou.

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