Falta 'identidade' à moda paranaense
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de abril de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
O Paraná tem um longo caminho a percorrer para tornar-se um pólo nacional de moda, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará.
O Estado é conhecido como um dos maiores produtores de roupa do Brasil, com uma fabricação mensal de quatro milhões de peças. Marcas famosas como Zoomp e Chitãozinho e Xororó são produzidas em Londrina e Dois Vizinhos, respectivamente, pelo sistema de fabricação sob licença. Outro segmento forte no Paraná são as facções.
Mas projetos como o Milano, que no mês passado levou empresários e estilistas à Milão, na Itália, visam agregar valor à confecção paranaense através do desenvolvimento de moda (ler matéria nesta página). Podemos agregar 40% de valor produzindo moda e consolidando marcas. Infelizmente, ainda não temos identidade própria, afirma o consultor do Sebrae em Londrina, Paulo Di Chiara. O desenvolvimento de moda na região ganhou força extra com a criação dos cursos de Estilismo e Moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Um dos programas para ajudar as indústrias a obter qualidade nos processos é o Programa de Assistência Tecnológica à Micro Empresa (Patme) do Sebrae, que neste mês disponibilizou cerca de R$ 20 mil para dez empresas do Norte do Estado.
No ano passado, a indústria D&J conseguiu diminuir em 2% o processo de reprodução de peças, com o apoio do Patme. A introdução da função de controle de qualidade no processo de produção também significou aumento de produtividade. Em 2000, 71 empresas do Paraná receberam subsídios de R$ 140 mil. Os recursos servem para pagamento de serviços de consultoria tecnológica.
Os maiores problemas detectados pelo Sebrae nas indústrias paranaenses são a falta de planejamento do controle de produção, falta de sistema de qualidade, métodos inadequados na operação de cortes e falhas no desenvolvimento de produtos e na logística de distribuição. Já os pontos positivos das empresas são criatividade, agilidade no atendimento aos clientes e grande índice de maquinário moderno.
Atualmente existem cerca de três mil indústrias de confecções no Paraná e 400 na região de Londrina. Há dez anos eram seis mil e 800 mil, respectivamente. O fechamento de fábricas se deveu à abertura de mercado e à entrada de produtos asiáticos no País.
Há dois anos o setor vem se recuperando por causa da desvalorização cambial e do aumento dos impostos de importação, afirmou Di Chiara. Algumas empresas da região estão com a produção vendida até maio, diz. O nível de emprego, porém, não foi retomado porque as indústrias ainda não esgotaram suas capacidades produtivas. Só na região de Londrina, o consultor calcula que entre oito mil e doze mil pessoas tenham perdido o emprego na década passada.
Visando o aumento de exportação, três associações de empresas interessadas em exportar seus produtos foram formadas no Estado no ano passado: a Associação de Exportação da Indústria de Confecções do Noroeste do Paraná, a Associação de Exportação das Indústrias de Confecções do Norte do Paraná e a Associação Brasileira de Fabricante de Bonés de Qualidade. Por enquanto, nenhum contrato foi assinado. Por falta de moda própria, a exportação paranaense é inexpressiva, disse Di Chiara.
Segundo ele, o Chile importa US$ 416 milhões em vestuário anualmente, sendo US$ 115 milhões do Brasil. O Paraná não exporta nada para aquele País, informa. Ele acredita em mudança desse cenário nos próximos anos. Ele acredita em mudança desse cenário nos próximos anos. Estamos trabalhando para o aculturamento dos empresários com viagens técnicas e visitas a feiras do setor, comentou.


