Falta emprego para os jovens
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
A elevada taxa de desemprego entre jovens continua em níveis alarmantes no País. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do último mês de novembro, apontam que a taxa de desocupação entre jovens de 18 a 24 anos de sete regiões metropolitanas é, em média, de 12,5% - número extremamente elevado comparado com as outras faixas etárias. Em Curitiba, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a taxa de desocupação nessa faixa é de 5,72%, a menor de todas as regiões pesquisadas. Entretanto, os valores não podem ser desconsiderados: são quase 15 mil jovens só na Capital paranaense sem oportunidade de trabalhar formalmente, o que representa 26% da população desocupada da RMC.
Para Lenina Formagi, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), são diversos fatores que dificultam a inserção do jovem entre 18 e 24 anos no mercado de trabalho. Ela elenca dois mais problemáticos: a falta de experiência e de escolaridade. ''A população com mais idade, por já possuir seu espaço, consegue empregos até com mais facilidade que a juventude'', avalia a especialista.
Sem emprego, Lenina explica que o jovem cai direto na informalidade, o que aumenta o chamado deficit de trabalho decente. Outra porta de entrada para o primeiro emprego acaba sendo o comércio. ''A qualificação técnica para atuar no setor é bem menor do que na indústria, entretanto, os salários são mais baixos e a jornada de trabalho muitas vezes é excessiva. Por isso, a inserção na indústria acaba sendo mais interessante que no comércio'', comenta a economista.
Já João Lopes Barreto, diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), relaciona os números divulgados pelo Ipardes com o fato dos jovens de hoje em dia estarem estudando mais. ''Nessa idade, eles ainda estão no período de formação, o que algumas vezes vai até os 25 anos. Eles também se preocupam muito com os estágios profissionais pensando em estar mais preparados para ingressar no mercado futuramente'', retrata Barreto.
O diretor também admite que as indústrias de Curitiba e região atingiram um nível de sofisticação bem elevado, e por isso muitas vezes exigem empregados mais qualificados e com experiência. ''60% da densidade industrial do Paraná está próximo à Capital do Estado. Mas vale salientar que a reposição anual no setor é de aproximadamente 35 mil pessoas e os jovens estão buscando crescer por meio de cursos de capacitação oferecidos espeficamente para a indústria''.
Em relação ao comércio, Vitor Monastier, diretor regional do Senac, diz de forma enfática o que está ocorrendo. ''O Brasil está vivendo um vazio de capacitação em nível médio. Portanto, todos que formamos estão sendo absorvidos. Há cursos em que não conseguimos fechar turma, mas ainda acho que a maioria dos jovens estão interessados em se capacitar. É uma questão cultural que precisa ser mudada''.
A economista Lenina Formagi complementa dizendo que as empresas, comércio e indústrias devem incentivar a contratação de jovens sem exigir experiência e criar programas de primeiro emprego com salários satisfatórios. ''Soma-se a isso também os treinamentos. É uma fase que eles estão cheios de gás e disposição para trabalhar''.


