A morosidade para a implantação da rede do gás natural ocorre por questões políticas, na opinião do diretor presidente Compagás, Rubico Camargo. Ele disse, esta semana à Folha, que não é a falta de licença ambiental que cria obstáculos para a implantação do gasoduto no Norte do Estado, mas a falta de decisão política. ''A licença ambiental é uma etapa para que o gasoduto chegue, porém eu não considero que a falta da licença seja obstáculo. Acho que falta decisão política'', declarou Camargo, lembrando que o ministro do Planejamento (Paulo Bernardo) é de Londrina e pode, nesse momento, trabalhar para agilizar o processo junto ao Ministério de Minas e Energia de Petrobras.
''Em todo processo de liberação ambiental existe alguns pedidos e todas as informações solicitadas pelo MP nós estamos respondendo. Certamente, não haverá nenhum problema com o MP porque estamos cumprindo todas as exigências desde o início'', comentou Rubico Camargo, lembrando que, neste momento, o gás natural é prioridade para Compagás e autoridades do estado. Tanto é que na última reunião do Condesul (Conselho de Desenvolvimento do Sul) os governos do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul encaminharam carta ao governo federal pedindo que o Ministério de Minas e Energia coloque em ordem de prioridade a instalação do gasoduto. ''Esperamos que, dentro de três meses, já tenhamos a liberação da licença prévia emitida pelo IAP para darmos andamento ao projeto de construção da rede de gás natural'', disse Camargo.
A reportagem tentou entrevistar, por dois dias seguidos, o ministro de Planejamento, Paulo Bernardo, mas não conseguiu. Segundo a assessoria, ele participava de reuniões no Palácio. Para o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), as autoridades estaduais da área devem fazer uma interlocução com ministro para agilizar o processo.''Se falta empenho é por falta da Compagás e governo do Estado'', afirmou Hauly. Segundo ele, o Paraná e a região contam com uma possibilidade única, através do ministro, para agilizar a rede.
Na opinião do deputado federal Alex Canziani (PTB), o momento é favorável para tratar do assunto pelo fato do Paraná ter um ministro de Planejamento ''O gasoduto é uma grande luta. Depende da Petrobras priorizar esse ramal e, este, é o momento oportuno para buscarmos isso. Temos um ministro que libera recursos, que faz orçamento. Ele pode incluir o gasoduto no orçamento do ano que vem, por exemplo. Não tenho dúvida de que trata-se de uma decisão política'', afirmou Canziani. O deputado federal José Janene (PP) foi procurado, mas assessoria não retornou a ligação conforme o combinado com a reportagem.(V.B.)

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