Falta de trigo importado afeta produção em moinhos
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terça-feira, 09 de julho de 2002
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba - Os moinhos brasileiros estão com dificuldade de importar trigo da Argentina. Os exportadores argentinos preferem segurar a produção do que vender sem saber quanto vão receber. Eles temem que o valor do trigo seja depreciado com a troca por pesos, que se desvaloriza a cada dia. Ou então, que o dinheiro arrecadado fique preso no sistema financeiro, com o ''corralito'' decretado pelo governo argentino.
Com a restrição na importação, os grandes moinhos que repassam parte do trigo às empresas menores não estão conseguindo concluir essa operação. Por isso, os pequenos moinhos localizados em Estados produtores como Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão paralisando suas atividades, enquanto não chega a produção da safra nacional, prevista para entrar no mercado a partir de setembro.
O empresário Lawrence Pih, diretor do Moinho Pacífico, em São Paulo, calcula que existe uma defasagem de 400 mil a 500 mil toneladas na importação do produto. Para ele, esse produto só não está faltando no mercado porque houve uma retração ''terrível'' na demanda e há 15 meses que o consumo não reage. Segundo o empresário, as famílias estão sem renda e consomem o mínimo necessário. ''Por isso não está faltando trigo'', frisa.
Para substituir o trigo que não está chegando da Argentina, os grandes moinhos e traders vêm importando o produto dos Estados Unidos, Canadá e até da Polônia. Ocorre que esse trigo estaria contaminado por fungos que podem se disseminar na produção nacional, acredita o empresário.
Está para chegar um navio carregado com trigo da Polônia nos portos de Vitória (Espírito Santo) e de Santos (São Paulo), e as autoridades sanitárias deverão determinar que o produto fique em quarentena, antes de ser liberado para o consumo.
Para agravar a situação, os moinhos não conseguem repassar para o custo da farinha o aumento da taxa cambial e a maioria deles está com dívidas em dólar com os bancos que liberam as cartas de crédito, ou com as traders, que fazem a importação. Essa dívida está calculada em US$ 250 milhões para um universo de 200 moinhos em todo o País, afirma Pih. ''Mas não passam de 50 os moinhos com crédito para importar'', destaca.
Segundo o empresário, mesmo os moinhos com crédito para importar estão sendo penalizados pela instabilidade econômica. Pih salienta que os bancos internacionais estão reduzindo o crédito em dólar ao Brasil, e essa posição reflete na falta de crédito para o comércio internacional.


