Josoé de CarvalhoMissão impossívelJosefina Segantini, proprietária da Fênix: a empresária desistiu de ‘‘batalhar’’ terreno em Londrina e levou fábrica para IbiporãEnquanto Londrina tenta atrair para o seu território indústrias que gerem renda e empregos, como praticamente todas as cidades de médio e grande porte do País, muitas empresas locais antigas estão deixando o município por falta de terrenos industriais.
Foi por não ter encontrado uma área adequada que o proprietário da Confecções Cartola, Igarassu Louzada, resolveu mudar sua fábrica para Cambé. O novo prédio, que fica na Rodovia Celso Garcia Cid, já está pronto e tem 2.640 mil metros quadrados de área construída. Louzada conta que, na época que estava procurando o terreno - há cerca de três anos, a prefeitura de Londrina se desdobrou para tentar conseguir uma área para a empresa no município. ‘‘Mas a Codel não tinha terrenos disponíveis que fossem adequados para nossa instalação. Optamos por Cambé, que além de um terreno de 20 mil metros quadrados, nos deu incentivos como isenção do pagamento de IPTU por cinco anos’’.
A mudança de endereço se deve à inadequação do antigo prédio da empresa, na avenida Rio Branco. ‘‘Por ter dois pisos, o processo de produção acabava prejudicado’’, diz Louzada. Com a transferência, a parte fiscal também passa para Cambé como o ICMS - o valor equivalente ao fundo de participação do município.
Até o começo de agosto, o empresário - que está fazendo a mudança aos poucos - acredita que a fábrica já deva estar funcionando em Cambé. Os 130 funcionários vão junto. ‘‘Só que, com o tempo, quem mora longe acaba arranjando outro emprego e as vagas novas acabarão sendo preenchidas por gente da região’’, acredita Louzada.
Fundada em Londrina em 1964, a Cartola produz calças e camisas. Além da indústria, a empresa tem 13 lojas no Estado: três em Londrina, três em Maringá, duas em Cianorte, e uma unidade em Foz do Iguaçu, Cornélio Procópio, Rolândia, Arapongas e Apucarana.
A Fênix, fabricante da marca Sweetness, passou a funcionar em Ibiporã há um ano e meio. A proprietária da empresa, Josefina Segantini, diz que antes de preparar as malas para a cidade vizinha, passou cinco anos ‘‘batalhando’’ uma área em Londrina. ‘‘Mas o preço dos terrenos oferecidos pela prefeitura naquela ocasião era o de mercado. Como já é difícil para o pequeno empresário investir na construção de uma fábrica, eu estava a procura de um preço mais facilitado’’.
‘‘Em Ibiporã consegui mais do que isso. A prefeitura autorizou a doação de um terreno de 14 mil metros quadrados com toda a infra-estrutura, na Rodovia Mello Peixoto, além da isenção de IPTU por dez anos’’, diz Josefina. Para ela, Londrina perde mais do que o dinheiro dos impostos ao permitir que as indústrias saiam da cidade. ‘‘O pior é que o município deixa de gerar empregos e perde na qualificação de mão-de-obra’’. A Fênix funcionou em Londrina durante 16 anos.
Por falta de espaço físico na antiga fábrica, a empresária tinha apenas 60 funcionários. Atualmente, a empresa emprega 150 - a maioria de Ibiporã. ‘‘Infelizmente os políticos de Londrina estão tão preocupados em atrair novas indústrias que deixam as empresas da cidade de lado’’, reclama.
A grande rotatividade de funcionários nas indústrias de confecções de Londrina e a falta de mão-de-obra qualificada colaboraram para a mudança da Indústria e Comércio de Confecções Wash Dunn, segundo o proprietário Paulo Roberto de Oliveira. Desde setembro passado, a empresa funciona em Bela Vista do Paraíso. ‘‘Acreditava que lá havia costureiras mais preparadas. Apesar de ter me decepcionado quanto a qualidade da mão-de-obra, que é a mesma de Londrina, não me arrependi de ter me transferido para Bela Vista’’.
Oliveira conta que a redução dos custos fixos da empresa, obtidos com a mudança, tornou possível a contratação de novos empregados. ‘‘Em Londrina, tinha 22 funcionários. Agora, tenho 35’’, diz. Os custos diminuíram porque o empresário, que pagava um aluguel de R$ 700 num galpão de 800 metros no Jardim Coliseu, em Londrina, fez um acordo com a prefeitura de Bela Vista do Paraíso, que se comprometeu a bancar o aluguel de um barracão do mesmo tamanho durante o primeiro ano de funcionamento da fábrica.
‘‘O vale-transporte em Bela Vista custa R$ 0,23, sendo que 50% deste valor é subsidiado pela prefeitura. Em Londrina, eu pagava R$ 0,60’’, diz Oliveira. Por não ter uma grande quantidade de indústrias, em Bela Vista do Paraíso os funcionários são ‘‘mais fiéis’’, segundo ele. ‘‘Em Londrina, os funcionários vivem mudando de empresa, interessados em receber o seguro-desemprego. E no final do ano, quando a produção geralmente aumenta, acontece um verdadeiro leilão pelos bons profissionais, cujos salários dobram’’. A Wash Dunn, que funcionava em Londrina desde o final de 1994, fabrica cerca de seis mil calças country/mês. Cerca de 90% de sua produção é vendida em Londrina.

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