A greve dos bancários está trazendo prejuízo para o Centro de Educação Infantil Josefina da Cruz, no Jardim Bandeirantes, Zona Oeste. Desde ontem está sem luz porque a entidade não tem mais talão de cheques para pagar a conta. ''O repasse do município está em dia, dinheiro temos, mas não temos como tirá-lo do banco. Não trabalhamos com cartão, somente com cheques, por isso não podemos usar os caixas eletrônicos'', contou a diretora da entidade Joana Pereira.
''Não somos contra o direito de greve, mas o direito deles acaba quando começa os dos cidadãos'', argumenta Joana, que telefonou para o movimento grevista ontem querendo saber se a paralisação estava acabando. ''Eles disseram que não sabia o que poderia acontecer na assembléia'. Joana disse que outras entidades também devem estar passando pelos mesmos problemas. A reportagem não conseguiu falar com a representante do Fórum das Entidades Filantrópicas para saber se outras entidades passam pelo problema.
Por outro lado, a secretária municipal de Educação, Carmem Baccaro Sposti, confirmou que as entidades são orientadas a fazer os seus pagamentos mediante cheques cruzados e nominais para maior transparência nas prestações de contas. ''Não sei se está havendo esse problema, até agora não fomos procurados na secretaria sobre essa questão'', afirmou a secretária.
O Comando de Greve dos Bancários rejeitou a proposta dos banqueiros de escalonamento nas diversas faixas salariais da categoria, com reajustes diferenciados. Os bancários reivindicam uma reajuste salarial de 13,23%, incluindo neste índice 5% de aumento real. Pela proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), os reajustes variam de 7,5% a 9%, incluindo gratificação de 9% para algumas faixas salariais.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, Geraldo Fausto dos Santos, classificou a proposta como sendo uma tentativa dos banqueiros para dividir a mobilização da categoria. ''Queremos que todos recebam igualmente o reajuste reivindicado'', protestou.
O comando de greve em São Paulo informou que hoje prosseguem as negociações com a Fenaban. Fausto lembrou que as negociações só foram retomadas, depois que o Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, determinou na última terça-feira que os bancos retornassem à mesa de negociação em 48 horas. Ontem, era o prazo limite para que os banqueiros negociassem.
Curitiba
Os interditos proibitórios obtidos na Justiça pelos bancos Bradesco, Itaú e Santander, fizeram a greve perder a força em Curitiba e Região. Ontem, 149 agências e 11 centros administrativos estavam com as portas fechadas na Capital. No interior do Estado, 235 agências não abriram ontem.
Os bancários realizaram ontem, em Curitiba, uma manifestação em frente ao Bradesco da Marechal Deodoro, no centro da cidade, contra os interditos proibitórios e a favor do direito de greve. No início da noite, a medida concedido ao Bradesco foi derrubada.
Ontem, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região assumiu através de nota que fez a contratação de trabalhadores para apoiar a greve em atividades como produção, impressão e distribuição de faixas. Segundo a entidade, essas contratações têm como objetivo assegurar o emprego dos bancários que atuam em bancos privados. O sindicato esclareceu ainda que essa contratação não é ilegal e é realizada com recursos próprios da entidade.

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