A escassez de semente de trigo no mercado está impedindo o aumento da área plantada com trigo no Paraná. De acordo com a primeira estimativa de plantio do trigo para o ano de 2001 feita pelo Deral, a área plantada deve ficar em 760 mil hectares, praticamente a mesma área plantada no ano passado. O plantio começa esse mês no Norte do Paraná, e talvez haja um leve incremento na área cultivada, admite a Secretaria da Agricultura.
Se o clima ajudar durante o ciclo da cultura, a expectativa de produção é de 1,67 milhão de toneladas, quase três vezes a produção do ano passado que ficou em 569 mil toneladas. ‘‘A produção anterior praticamente foi dizimada pelas geadas e os campos de sementes foram atingidos’’, disse o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral.
A área plantada de trigo corresponde praticamente a um terço do que já foi plantado em 1986, quando a área ocupada com a cultura chegou a 1.947.000 hectares. O produtor deixou de plantar trigo em função de políticas econômicas que derrubaram o preço do produto. ‘‘Nas últimas safras, o trigo teve liquidez na comercialização, mas a rentabilidade não agradou’’, afirmou Hubner.
Segundo o técnico, o produtor até está inclinado a plantar mais trigo este ano. ‘‘Mas é mais por falta de opção do que ânimo com o mercado.’’ Os preços do milho estão muito baixos e o produtor opta pelo plantio do trigo, que evita custos maiores com prevenção da erosão e combate às ervas daninhas, disse Hubner.
Para Hubner, a situação da cultura hoje é semelhante à de 1996, quando os estoques mundiais estavam baixos e o preço no mercado internacional apontava uma tendência de aumento. Ocorre que naquele ano, a Argentina que planta trigo mais tarde que no Brasil, aumentou a área plantada para aproveitar o momento favorável do mercado externo e quando chegou a época da colheita no Brasil, os preços desabaram. ‘‘Por isso que os produtores do Paraná ainda estão indecisos’’, avaliou.

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