Curitiba - A Capitania dos Portos do Paraná suspendeu, ontem, a navegação no Canal da Galheta, que dá acesso aos portos de Paranaguá e Antonina. Com isso, a paralisação foi geral. Os navios atracados que haviam terminado as operações de embarque não podiam sair e os navios estacionados ao largo da baia de Paranaguá não podiam entrar. Até ontem à noite, eram sete navios atracados e mais 28 ao largo, esperando para atracar.
O responsável pela Capitania dos Portos, Francisco dos Santos Moreira, tomou a decisão ontem pela manhã, quando constatou o deslocamento de três das 50 bóias de sinalização instaladas ao longo do Canal da Galheta. Não foi um deslocamento considerado normal, enfatizou Moreira. Os equipamentos prejudicados estavam localizados justamente na entrada do Canal da Galheta, onde inicia o processo de sinalização para os navios.
A empresa de manutenção das bóias sinalizadoras, Tecnimport, passou o dia tentando solucionar o problema, mas em função do mar revolto e das difíceis condições climáticas, não havia conseguido reposicionar os equipamentos até o início da noite.
O Canal da Galheta é artificial (dragado) e é margeado por bancos de areia, lembrou o capitão Moreira. Ele disse que ficou sem opção:''ou garantia a segurança dos navios ou permitia que as cargas fossem parar num banco de areia''. A manutenção das bóias de sinalização é responsabilidade da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), ressaltou.
Segundo o capitão Moreira, há dois dias as bóias haviam sido deslocadas em função das péssimas condições climáticas que afetou toda a região litorânea do Sul do Brasil. Para a Capitania dos Portos, a falta de manutenção dos equipamentos nos últimos dois anos, agravou a situação. ''As bóias são presas ao fundo do mar por um peso e o deslocamento como ocorreu não é considerado normal'', afirmou. Para Moreira, as condições meteorológicas foram responsáveis por apenas 10% do deslocamento.
A APPA estava trabalhando com duas justificativas para o problema. Uma delas corresponde aos efeitos do ciclone que atingiu o Sul do Brasil e vem, desde segunda-feira, prejudicando as operações dos práticos que conduzem os navios. Além disso, o superintendente da APPA, Eduardo Requião, pensa em abrir um inquérito administrativo para apurar responsabilidades sobre a ordem de liberação de seis navios na madrugada de anteontem. Segundo a assessoria do porto, esses navios, por falta de condução adequada, teriam abalroado as bóias laterais. Técnicos da APPA teriam encontrado tinta de casco das embarcações nas pontas das bóias.

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