Falta de segurança deixa vida mais cara
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Além de mudar o comportamento das pessoas, a escalada da violência também exerce influência direta em alguns setores da economia. Na construção civil, por exemplo, o custo referente à segurança pode comprometer até 5% da obra. E as lojas que se especializam em artigos para segurança precisam oferecer produtos cada vez mais sofisticados.
''A insegurança é geral e está afetando todo mundo, não importa se a pessoa é de baixa renda ou de alta renda'', comenta o empresário Walid Kauss. Ele revela que já foi assaltado duas vezes em seu escritório e tem exemplos de amigos e vizinhos que passaram pela mesma experiência.
Kauss critica o governo por não garantir a segurança do cidadão. ''Há absoluta falta de investimentos nas áreas de planejamento e informação para a Polícia e no preparo dos policiais. A gente se sente obrigado a ter mais cuidado, ter guarda particular, cerca elétrica, esse tipo de coisas que são paliativas e não resolvem o problema'', afirma.
A publicitária Aline Pinotti morou cinco anos em outra cidade e retornou a Londrina há pouco tempo. Para ela, houve um aumento considerável da violência neste intervalo de tempo. ''Antes era bem mais seguro, mas agora a situação é preocupante porque está muito perigoso''. Ela concorda que a falta de segurança altera o comportamento das pessoas. ''Como tenho criança pequena, a gente tem o maior cuidado para sair à noite e quando chega tem que olhar bem o portão eletrônico antes de entrar em casa'', observa.
A publicitária reconhece que os problemas de ordem econômica e social interferem nos índices de criminalidade, mas acha que a situação poderia ser amenizada com policiamento preventivo. ''Mesmo que o ladrão só esteja rondando, ele fica meio alerta quando vê um policial'', afirma.
O engenheiro civil Marcos Visintin esteve em Portugal há nove anos e, como estava sem perspectiva de trabalho no Brasil, resolveu arriscar e conseguiu o que queria. Ele voltou a Londrina com a esposa e o filho para visitar a família e disse que, mesmo distante, acompanha o que acontece na cidade. ''Londrina era uma cidade extremamente tranquila e hoje parece que as pessoas estão muito preocupadas com a falta de segurança; minha família e meus amigos sempre demonstram essa preocupação'', conta.
A insegurança é um fator de peso quando Visintin pensa em um possível retorno ao Brasil. ''Quando estou lá e ouço as notícias daqui, não dá a menor vontade de voltar. Mas quando a gente está com a família e relembra a cidade onde nasceu, até dá vontade de vir embora. Mas é complicado porque lá tenho uma vida bastante tranquila com mais perspectivas do que aqui'', compara.
Muros e cadeados
Para a socióloga Francisca Vergíneo Soares a insegurança que afeta a população é reflexo da ausência de uma política pública para o setor. Segundo ela, o aumento da violência está relacionado não apenas a problemas de econômicos e sociais, mas também à educação. O governo tenta combater os efeitos e não as causas, argumenta.
Francisca Soares afirma também que equipamentos sofisticados não resolvem o problema da insegurança. Mas as pessoas têm necessidade de aumentar os muros e colocar mais cadeados nas casas para não ficar com a sensação de que estão sendo invadidas, diz a socióloga, que está reforçando a segurança da casa.(E.A.)
Mercado oferece acessórios sofisticados
Depois que acontece o roubo, as pessoas ficam assustadas e querem um produto diferente, afirma o empresário Daniel Alves Leite, que tem uma loja que trabalha exclusivamente com acessórios para segurança em casas, edifícios e estabelecimentos comerciais. Segundo ele, as pessoas não estão preocupadas com os preços dos produtos. Hoje nós somos os prisioneiros e os bandidos estão soltos, define.
O empresário relaciona alguns produtos mais sofisticados encontrados no mercado:
- Fechadura de alta segurança com três ou cinco pontos de travamento. Custa em médiaR$ 1.200,00 a unidade. Para tirar a fechadura é preciso remover o batente junto.
- Cadeados de aço de alta resistência chegam a custar R$ 880,00 a unidade.
- Trava de segurança tetrachave é vendida a R$ 833,00.
- Fechadura com chave multiponto só pode ser aberta com furadeira. Apenas o cilindro custa R$ 414,00.
- Fechadura digital. Só pode ser aberta depois de cadastrada a digital do usuário. O modelo simples custa R$ 2.400,00; com senha, R$ 3.400,00.(E.A.)
Combustíveis
A diferença dos preços dos combustíveis nos postos do Centro de Londrina permanece pequena. O litro da gasolina é vendido entre R$ 2,51 e R$ 2,54 e o litro do álcool varia entre R$ 1,63 e R$ 1,66, ou seja, R$ 0,03 de diferença nos dois casos. Em outras cidades, a diferença dos preços dos combustíveis chega a ser 20% maior.
Carnes
Confira os preços de algumas carnes em um supermercado de Londrina. As ofertas são válidas até o próximo domingo:
- Lombo suíno, R$ 9,45 o quilo;
-Fraldinha bovina, R$ 6,39 o quilo;
- Capa de filé bovino, R$ 5,69 o quilo;
-Coxinha da asa temperada, R$ 4,79 o quilo; e
-Costela suína temperada, R$ 8,99 o quilo.


