Falta de recursos impede ajuda maior
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quarta-feira, 26 de julho de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Se a recessão econômica fez cair o volume de recursos investidos pelas empresas privadas em ações sociais comunitárias, a dificuldade financeira é um dos motivos que impedem uma maior participação dos empresários neste tipo de trabalho. Das 10 mil empresas entrevistadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 31% disseram que não desenvolvem nenhum tipo de ação social. Deste total, 62% alegaram falta de dinheiro, 11% reclamaram da falta de incentivos governamentais, 5% disseram que nunca pensaram na possibilidade e outros 5% acreditam que esse não seja o papel das empresas.
O foco na questão social parece estar bastante presente entre os empresários, uma vez que apenas 14% estão preocupados em melhorar sua imagem perante seus consumidores. Em 2000, 26% das empresas estavam preocupados com a questão. As empresas que fazem algum tipo de doação também pouco utilizam os incentivos fiscais concedidos pelo governo. Somente 2% buscam algum benefício enquadrado na lei. Abatimentos poderiam ser encaixados na Lei Rouanet, para programas de incentivo à cultura; ou destinados para os diversos fundos como o de proteção à criança e ao adolescente.
O restante dos empresários que deixa de utilizar esses benefícios alega que o valor do incentivo era muito pequeno (40%), que as isenções permitidas não se aplicavam às atividades desenvolvidas (16%) e outros desconheciam a existência desses mecanismos (15%). ''O Ipea é um órgão diretamente ligado ao governo e esses dados podem influenciar no debate para fortalecimento das parcerias público-privadas'', afirma Luana Pinheiro, coordenadora-adjunta da Pesquisa Ação Social das Empresas.
A pesquisa mostra que 51% das empresas brasileiras aumentariam suas ações sociais se tivessem mais dinheiro, enquanto 27% desejam mais incentivos fiscais. ''Os empresários já estão com a opinião de que com o desenvolvimento das ações sociais todos ganham. Em geral, as comunidades mais carentes são as que mais recebem algum tipo de auxílio'', avalia Luana.
Agricultura - A setor agrícola foi que mais aumentou a participação nos trabalhos sociais, com um aumento de 35 pontos percentuais. A contribuição aumentou de 45% para 80%. Já o setor da construção civil, que era o menos atuante, em 2000, segue na última posição, com apenas 39% de suas empresas realizando ações sociais, o que representou um crescimento de 4 pontos percentuais no período. Os demais setores apresentaram crescimento semelhante, atingindo níveis de atuação que oscilaram entre 69% e 72% das empresas.


