Vânia Casado
De Curitiba
A estiagem que persiste na região Centro-Sul do país, há 5 meses, está revelando um ano atípico na produção de leite. No Paraná, a previsão é que não tenha período de safra em que normalmente a produção se eleva entre 20% a 25% entre os meses de novembro a fevereiro. A situação tende a se agravar daqui para frente em função da falta de alimentos para os animais. Tanto os pastos estão comprometidos pela estiagem como as silagens programadas para suprir a alimentação dos animais, no período de entressafra, se esgotam até o final do mês, informou Nelson Costa, assessor econômico da Ocepar.
A Secretaria da Agricultura prevê uma redução de 10% na produção mensal de leite entregue nas indústrias e laticínios, o que corresponde a uma perda de 7,5 milhões de litros. A produção mensal de leite no Paraná é de 75 milhões, informou o Deral. Segundo o técnico, João Carlos Koelher, no Sudoeste, a redução na produção atinge até 22%. A Ocepar calcula que a produção de leite está 15% abaixo da média anual registrada no estado, o que corresponde a uma redução de 11 milhões de litros por mês.
A falta de ração é o motivo principal da redução de leite. De um lado, as pastagens não se desenvolvem em função do solo seco. A situação é mais grave nas regiões Oeste, Sudoeste e Norte. De outro lado, as silagens estão se esgotando e não há como repor porque o milho plantado está ameaçado pela falta de chuvas e não oferece condições para fazer a silagem, acrescentou.
O quadro de entressafra vai persistir nos próximos meses, prevê Costa. Para Koelher, da Secretaria da Agricultura, a oferta de matéria prima para fabricação de queijo também está reduzida. Com isso, aumentam as importações de leite. Em outubro, a importação aumentou 55% passando de 10,8 mil toneladas compradas no ano passado, para 16,8 mil t. No acumulado de janeiro a outubro de 99, o país importou 147,9 mil t, um volume 0,5% superior ao ano passado.
O aumento das importações preocupam as cooperativas paranaenses. Segundo Costa, elas esperam que o governo brasileiro esteja alerta e proíba as importações de países que fazem dumping, como Austrália, Nova Zelândia e União Européia. ‘‘Se falta leite no mercado interno, a importação tem que ocorrer dentro das regras legais de comércio internacional’’, insistiu. Se o país voltar a importar maciçamente leite em pó a preços subsidiados, Costa teme um novo desestímulo ao setor produtivo, que está tentando se reerguer após ter atravessado um grave período de crise.

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