Curitiba - O governo federal exige que as empresas cumpram um papel social ao empregar portadores de deficiências, mas não dá a contrapartida através de programas de qualificação. Com isso, coloca um problema no colo dos empresários, que precisam preencher a cota determinada no decreto 3.298 de 1999 mas, de forma geral, não encontram mão-de-obra qualificada no mercado.
O gerente da Volvo, Dante Lago, diz que a situação é problemática. A montadora, localizada na Cidade Industrial de Curitiba, recorre à mão-de-obra de deficientes visuais e neurológicos moderados desde 1997. Atualmente esse tipo de contratação preenche uma cota de 1,5% a 2% do número de trabalhadores da empresa. A montadora quer ampliar esse tipo de contratação para pessoas com conhecimentos específicos em informática ou com conhecimento em línguas. ''Mas está difícil encontrar'', diz Lago.
O executivo é um dos defensores do papel social da empresa e apóia a obrigatoriedade de contratação de portadores de deficiências. Para ele, o trabalho alavanca sentimentos de auto-estima e de companheirismo no ambiente de trabalho, que beneficiam a empresa de modo geral. Mas ele lembra também que falta ao governo fazer a sua parte e investir na formação e qualificação desses profissionais para que as empresas não tenham tantas dificuldades no preenchimento das cotas fixadas pelo decreto.
Lago lembra que a empresa tem que acabar suprindo o papel que deveria ser do Estado, investindo também na qualificação. Ele aponta estatísticas no País que dizem que o ensino ignora 5,7 milhões de deficientes, fora da escola. ''É um número muito elevado'', destaca.
O coordenador do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência, Odair Antonio Fernandes, diz que as empresas não têm custos adicionais na contratação de pessoas com deficiências. E afirma que a sociedade de forma geral peca por não inserir trabalhadores especiais em seus ambientes. Ele lembra do tempo que os deficientes eram trancados em escolas especiais, sem interação com a sociedade. ''Isso não pode mais continuar ocorrendo. A empresa tem que cumprir o seu papel social com a inserção dos diferentes'', defende.

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