O ex-bancário Nildo Raboni, 56 anos, é mais uma vítima da avidez dos juros bancários. A ilusão do negócio próprio levou sua família à bancarota e roubou a liberdade que tanto sonhavam.
Cinco anos após a abertura de uma revenda de gás, água e carvão, em Londrina, ele, a mulher e dois filhos continuam sem crédito na praça e, pior ainda, com uma dívida de aproximadamente R$ 10 mil com os bancos.
Segundo Raboni, o problema começou na abertura do negócio que exigiu um empréstimo de R$ 15 mil e as economias acumuladas em 30 anos de trabalho. ''Estava velho demais e a renda como vendedor autônomo não pagava as despesas. Um amigo teve a idéia primeiro e achei que comigo também poderia dar certo'', justificou o empresário que, ainda hoje, duvida da influência de um consultor especializado.
Para pagar funcionários, impostos, fornecedores e apenas os juros o ex-bancário recorreu até a agiotas que, indiretamente, ficaram com o único imóvel que possuía. Atualmente, Raboni passa o tempo administrando as contas e espera livrar-se dos credores em dois ou três anos.
''Não posso abandonar o negócio porque é a única fonte de renda da família e também porque aqui investimos muito. Cheguei até onde podia. Para crescer preciso de capital, mas sem crédito isso é impossível''.
A culpa pela péssima experiência ele atribui ao sistema financeiro brasileiro que nunca facilitou sua vida. Segundo ele, seus investimentos não contaram com o apoio do setor bancário que mantém uma postura resistente. Mas, em primeiro lugar, Raboni cita o sonho da autonomia e dignidade que até hoje alimenta suas esperanças.
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