Falta de peças afeta desempenho das montadoras
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de peças para os veículos automotores está atrasando o desempenho das montadoras do pólo automotivo paranaense, que não está conseguindo atender o ritmo do aumento da demanda. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a Audi-Volkswagen está com 4 mil carros no pátio da fábrica. Desses, 1,2 mil ainda esperam peças. Os demais estão prontos, à espera de ''cegonheiras'' - caminhões especializados no transporte de veículos - que não estão conseguindo escoar a produção para as concessionárias.
O aumento da produção na Audi-Volks ocorreu graças ao veículo Fox, que caiu no agrado do consumidor, principalmente depois que foi lançada a versão quatro portas. Em junho, a montadora foi obrigada a instalar o terceiro turno de trabalho e a produção quase dobrou de 400 para 700 carros por dia. De acordo com o sindicalista Oswaldo Ferreira Duarte, da comissão de fábrica, os fornecedores não conseguiram acompanhar o aumento de produção da montadora que foi muito rápido.
Duarte disse ainda que a montadora deverá reduzir a produção do Fox para 620 unidades diárias para compatibilizar a linha de montagem com o cenário de falta de peças. Para se ter uma idéia, muitos veículos Fox foram enviados para as concessionárias sem o pneu estepe, com a promessa de reposição futura. Os clientes estão esperando até três meses para entrega do veículo. A escassez de pneus está atingindo montadoras no Brasil inteiro, disse o sindicalista.
A Case New Holland (CNH), fabricante de tratores e colheitadeiras foi outra montadora que sofreu com o aumento rápido da demanda. Por conta da elevação da produção, que vem ocorrendo desde o ano passado, a montadora parou duas vezes a linha de montagem este ano, informou o sindicalista Algaci de Almeida Machado, da comissão de fábrica.
No início do ano, a linha de montagem da CNH parou dez dias por falta de peças porque os fornecedores não estavam vencendo o aumento de pedidos da montadora. Em maio, a CNH parou mais quatro dias em decorrência da greve dos fiscais da Receita Federal em Paranaguá, que dificultava a liberação das peças importadas.
Para o coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, esses são os primeiros sintomas da falta de estrutura no Brasil, que se agravar pode provocar um colapso no setor produtivo como vários setores da economia vem alertando há algum tempo. O crescimento da economia vem sendo provocado pela expansão do crédito para as pessoas físicas que aumentou 17,45% nos primeiros cinco meses do ano. ''As pessoas estão mais confiantes na economia e por isso contraíram empréstimos para aproveitar as quedas nas taxas de juros'', disse o economista do Dieese, Sandro Silva.
A Audi-Volks negou que está enfrentando problemas com a falta de peças. A montadora admitiu que está com 3 mil veículos parados no pátio, mas salientou que todos estão completos à espera de serem transportados para as concessionárias. De acordo com a assessoria da montadora, ''os carros só não foram embarcados porque a empresa está num período de adaptação e que em breve será normalizado''.


