Falta de moedas cria ágio no comércio
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A falta de moedas que vêm sendo sentida entre os comerciantes há uns três meses, está fazendo surgir um comércio paralelo onde se cobra até 10% de ágio na troca de notas por moedas. As unidades que mais estão em falta são de R$ 0,05, R$ 0,10 e R$ 0,25. Para evitar o agravamento da escassez de moedas no comércio, a regional do Banco Central, em Curitiba, está iniciando uma campanha de conscientização junto à população
A campanha está sendo feita em parceria com a Associação Comercial do Paraná, que vai distribuir mais de 1.300 cartazes nas lojas associadas. O cartaz apela ao consumidor para que negocie mais com moedas, principalmente nas compras de baixo valor, para que aumente a circulação. O Banco Central argumenta que o volume de moedas em poder do consumidor, cerca de 40 cada um em média, é suficiente. O problema é que a população guarda as moedas em casa e a circulação fica restrita, diz um funcionário. De acordo com o BC, o problema é generalizado no País inteiro. O volume de moedas nas mãos dos brasileiros é de 6,7 bilhões de unidades
A explicação dos lojistas é outra. Na avaliação de Renato Xavier Ferreira, superintendente da ACP, o Banco Central não acompanhou o crescimento do comércio registrado este ano e não providenciou a confecção de mais moedas. A maior reclamação é da falta de moedas nos bancos. Com isso os comerciantes recorrem à banca de revistas e pontos de ônibus para trocar em moedas.
O dono de banca de revistas da Praça Rui Barbosa, Pedro Silva, disse que não consegue vencer o assédio de comerciantes da região central que querem trocar as moedas. Segundo Silva, os consumidores não valorizam a moeda que têm no bolso e acabam deixando em casa. Para agravar a situação, moedas de R$ 0,25 e de R$ 0,50 são compradas para que as pessoas possam jogar nos caça-níqueis.
A comerciante Derotilde Vieira Ribeiro, dona de uma panificadora, recorreu à estratégia da troca de moedas para evitar o pagamento de ágio. Segundo ela, ela troca moedas de R$ 0,10 e R$ 0,05 com um comerciante amigo, dono de restaurante, que lhe passa moedas de R$ 0,01, que ela necessita mais em seu comércio.


