Falta de milho dura por mais dois anos
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sexta-feira, 15 de novembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - A crise de abastecimento do milho deve se prolongar por pelo menos mais dois anos. É o que sugerem as projeções das grandes indústrias multinacionais que produzem sementes de alta tecnologia. Depois de enfrentarem dois anos de encalhes, as indústrias sementeiras vão reduzir sua produção. O resultado será uma menor oferta para o plantio da próxima safra, que ocorre no segundo semestre de 2003. Em outras palavras, a decisão das indústrias limita as chances de recuperação da oferta de milho em 2004.
Na safra de verão 2002/03, que está terminando de ser plantada, a área com híbridos deve ficar em torno de 5,25 milhões de hectares, segundo Paulo Cau, gerente de comercialização de sementes de milho da Monsanto. A área é 9,5% menor do que a da safra anterior. Os híbridos, tipos de milho de alta tecnologia, ocupam a cada ano entre 60% e 65% da área plantada no País. No entanto, são responsáveis por uma parcela ainda maior da produção nacional.
De acordo com Jorge de Souza, diretor de marketing da Syngenta Seeds, a redução da área plantada de milho, registrada pelo segundo ano consecutivo, ocorreu de forma inesperada. Ele observa que o produtor é confrontado anualmente com a escolha de plantar milho ou soja. ''A desvalorização cambial em 2001 e 2002 aumentou o interesse pela soja, que é produto eminentemente de exportação'', explicou. Por consequência, a área de milho caiu.
Para evitar novo encalhe, Souza afirma que a indústria deve reduzir a produção de sementes para a safra de verão 2003/04. ''A oferta deve permitir apenas a repetição da área de híbridos plantada em 2001/02'', diz.
Embora o País também plante anualmente uma segunda safra de milho, a chamada safrinha, a safra de verão é a mais produtiva e segura, gerando em torno de 75% da oferta anual. O rendimento da safrinha depende de uma incerta combinação de fatores climáticos que impeça o milho de sofrer com baixas temperaturas ou falta de umidade. Portanto, uma redução na safra de verão é sinal de problemas.
E os problemas já são suficientemente graves no momento. O governo admitiu, na semana passada, que haverá um déficit de 1 milhão de toneladas de milho até a entrada da próxima safra, em fevereiro, provocado pela queda de produção de milho este ano e pelo aumento das exportações. Nesta semana, a crise começou a tomar proporções mais graves, atingindo as indústrias gaúchas. A Companhia Minuano de Alimentos decidiu paralisar o abate de frangos em sua fábrica de Passo Fundo e a Chapecó deu férias coletivas aos funcionários de sua fábrica em Santa Rosa. Neste cenário, o governo analisa a redução temporária de tarifas de importação do cereal de fora do Mercosul para amenizar a crise.


