Vânia Casado
De Curitiba
A escassez da oferta de milho está preocupando os pequenos criadores do Paraná que não estão tendo acesso à compra do milho no balcão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Os estoques da Conab no Paraná, estão avaliados em 50 mil toneladas e esse volume é insuficiente para atender um mês de consumo para os pequenos criadores, afirmou o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, Romeu Carlos Royer.
Para os criadores este é um dos piores períodos de entressafra do milho, acrescentou Royer. O produtor culpa a Conab por ter transferido cerca de 400 toneladas dos estoques de milho que tinha no Paraná para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A situação está se agravando porque em outros anos o mercado tinha a opção de importar o produto. Esse ano, a desvalorização cambial tornou a importação muito cara e o acesso ao produto pode ficar mais difícil para os pequenos e médios criadores, já que os grandes consumidores, como as indústrias, estão estocadas e com o abastecimento mais tranquilo, disse Nelson Costa, assessor economico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná).
Os períodos de entressafra eram mais tranquilos em anos anteriores, porque o Brasil costumava completar suas necessidades de abastecimento de milho com importação da Argentina e Paraguai. ‘‘Esse ano, essa válvula de escape deixou de ser viável com a desvalorização cambial’’, salientou. Costa atribui a escassez do milho ao desestímulo do produtor que acumulou prejuízos com a cultura nos últimos dois anos, e esse ano decidiu reduzir a área plantada.
Ocorre que a demanda está forte em função do crescimento da avicultura e suinocultura, segmentos consumidores de milho, e está havendo uma disputa muito grande em torno da produção. O temor dos criadores é com a travessia dos meses de novembro, dezembro e janeiro, trimestre que deve ser crítico para o abastecimento, período que podem disparar os preços do grão, afirmou o analista Paulo Molinari, da agência Safras e Mercados, de Curitiba.
Molinari justificou que o governo anuncia que tem um estoque de 1,2 milhão de toneladas, para ser colocado no mercado entre outubro e janeiro, quando no ano ano passado vendeu quase 2,5 milhões de toneladas no mesmo período. Além do volume ser considerado muito baixo, Molinari lembra que o mercado duvida da qualidade do produto em poder do governo. Segundo ele, a situação atual ainda é tranquila porque os criadores estão comprando o milho de cooperativas e de produtores por R$ 10,00 a R$ 10,50 a saca. A preocupação é que o preço possa chegar até R$ 13,00 a saca, o que inviabilizaria a produção de aves e suínos pelos pequenos criadores.
Molinari admite que esse ano não há muito o que fazer para facilitar o acesso dos pequenos criadores aos estoques de milho. O quadro de oferta está muito ajustado, a produção insuficiente e a demanda está em alta. Segundo levantamento da Safras e Mercados, esse ano a produção de carne de frango no país deve atingir 5 milhões de toneladas, uma elevação de 12% sobre a produção do ano passado que foi de 4,4 milhões de toneladas. E a produção de carne suína cresce 4%, que passa de 1,63 milhão de toneladas no ano passado, para 1,7 milhão de toneladas esse ano.

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