Falta de medidas contra crise mundial frustra reunião do FMI
A sessão de abertura da reunião da Junta de Governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) frustrou os que esperavam o anúncio de medidas concretas para impedir que a crise financeira continue a se alastrar pelo mundo. O presidente norte-americano, Bill Clinton, e o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, maquiaram os discursos que vêm fazendo nos últimos dias, mas disseram a mesma coisa: a crise é grave e requer ação imediata.
Quem soube tirar proveito da oportunidade foi o presidente da Argentina, Carlos Menem, que veio a Washington por iniciativa própria, criando situação constrangedora para Camdessus, que não teve como dizer não. Menem veio dizer que a Argentina não é o Brasil (obviamente não fez a comparação de maneira literal), que suas contas estão em ordem, que já conseguiu dinheiro para financiar as contas correntes até o final do ano que vem, que seu déficit fiscal não preocupa e que os investimentos diretos chegarão a US$ 10 bilhões este ano.
Para o diretor-gerente do FMI, é hora de reconhecer erros e de tomar ações decididas: O círculo virtuoso transformou-se em vicioso. Começou na Ásia, arrasou a Rússia, atacou a América Latina e agora volta novamente à Ásia, adiando as perspectivas de recuperação da região, disse. Camdessus admitiu que ninguém previu com antecedência o poder destrutivo desse vírus, mas considera que seria excessivamente dramático referir-se, hoje, a uma recessão global.
O diretor-gerente do FMI não vê renascer o fantasma da grande depressão do fim da década dos anos 20. Não estamos em 1928, e a recessão global pode ser evitada, disse. Se todos países perseguirem a estabilidade, as reformas estruturais e uma ordenada liberalização de suas economias, a crise pode ser superada e os países que estão hoje no meio do furacão podem emergir mais fortes e mais bem preparados para os desafios da próxima década.
Para ele, os programas tradicionais da instituição não são mais suficientes para ajudar os países a sair de uma crise que já se mostrou sistêmica. Em sua opinião, precisa haver esforço cooperativo por parte de todos os membros da comunidade internacional para superar as limitações que vêm sendo identificadas na atual crise.
O diretor-gerente do FMI não vê a saída da crise como um processo rápido. As tarefas que temos diante de nós são complexas, disse, e é fundamental que começemos a enfrentá-las imediatamente, nas seguintes vertentes:
Em primeiro lugar, as economias industrializadas têm que manter seu papel de motores do crescimento global. Nesse contexto, o Japão tem que encontrar o caminho para sua recuperação, já que tem papel fundamental a desempenhar para a recuperação da economia asiática como um todo.
Em segundo, a comunidade internacional deve oferecer apoio efetivo aos países que estão em processo de reconstrução após terem sido afetados pela crise. Esse apoio deve partir tanto das instituições públicas como do setor privado.
Terceiro lugar, os países que lutam contra os efeitos do contágio devem resistir à tentação de adotar medidas unilaterais sobre os pagamentos de suas dívidas, evitando adotar medidas protecionistas e o recurso à inflação. A Quarta vertente seria assegurar o financiamento do próprio FMI. Para Camdessus, é fundamental que os países aprovem a ampliação de recursos para Fundo.
Quinto, a transformação do próprio FMI, com vistas a torná-lo mais apto a enfrentar as novas circunstâncias do sistema financeiro globalizado.France PresseConsensoClinton e Menem, na reunião do FMI: sistema financeiro internacional precisa mudarAgência Estado





