Desde 1º de abril, uma determinação do Ministério da Agricultura e do Abastecimento torna obrigatória a adição de 3% de biodiesel pelos produtores de óleo diesel. Essa medida, aliada aos incentivos que o governo federal oferece à indústria de biodiesel e aos agricultores, pode incentivar a ampliação do cultivo da matéria-prima. Mas, segundo o coordenador do Programa Estadual de Bioenergia da Seab-PR, o engenheiro agrônomo Richardson de Souza, a disponibilidade de matéria-prima é o maior entrave para a produção do biodiesel no País. ''Essa questão é o grande desafio para tornar o biodiesel economicamente viável'', comentou. Ele participou do 4º Seminário de Biodiesel, realizado na manhã de ontem na ExpoLondrina 2008.
Souza afirmou que a ampliação da porcentagem da mistura de biodiesel ao diesel em 3% significa a necessidade de produção de 1,2 bilhão de litros do combustível biológico. ''No ano passado, a produção de biodiesel atingiu 400 milhões de litros, ou seja, precisamos triplicar o volume produzido'', observou.
Aliada à necessidade interna, a demanda pelo produto no exterior por causa das questões ecológicas e mesmo como substituição de matriz energética tornam o cenário para a produção de matéria-prima bastante positiva. Richardson afirma que no Paraná existem três usinas de biodiesel, mas apenas uma está em produção, a da Big Frango, em Rolândia, que utiliza gordura animal de sua própria produção e utiliza o biocombustível para seu abastecimento.
O agrônomo disse que as outras duas empresas, que também estão instaladas em Rolândia, não estão produzindo por problemas conjunturais e falta de matéria-prima. ''A matéria-prima disponível (soja) não é economicamente viável. Não há produção comercial, as usinas trabalham com muita cautela'', comentou.
Mesmo assim, afirmou Richardson, o Paraná deve receber duas novas grandes usinas de biodiesel. Uma já está em construção, em Marialva, e terá capacidade para produzir 110 milhões de litros/ano. A outra, ainda em fase de projeto deverá ser implantada pela Petrobras em Palmeira, e poderá processar 113 milhões de litros/ano.

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