Falta de investimentos preocupa o governo
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sábado, 14 de agosto de 2004
Sheila D'Amorim<br> Agência Estado 
Brasília - A forte recuperação da economia está deixando o governo preocupado com a lentidão da retomada dos investimentos. O aumento da capacidade de produção é considerado fundamental para sustentar o crescimento sem causar inflação. Apesar dos insistentes apelos da equipe econômica para o empresariado desengavetar seus projetos de ampliação da planta industrial, a evolução da taxa de investimento - que passou de 18,71% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2002 para cerca de 19% do PIB no primeiro trimestre deste ano - deverá manter um crescimento baixo este ano, na avaliação de especialistas de mercado.
A justificativa para isso é que, até agora, os setores que se aproximam do limite da capacidade instalada e, portanto, já começam a se movimentar para elevar a produção, são aqueles direcionados para exportação de produtos ''considerados mais primários'' e que têm, por trás deles, uma cadeia produtiva pequena. Com isso, a capacidade dessas empresas puxarem um ciclo de investimentos também dos seus fornecedores é menor.
Os números do Banco do Brasil ilustram essa situação. O banco comemora os primeiros passos para retomada de projetos para financiar aumento de planta e compra de máquinas e equipamentos. Segundo Antônio Francisco de Lima Neto, diretor comercial para pessoas jurídicas, o BB já acumula este ano projetos que somam R$ 7,705 bilhões e que, se aprovados, representarão financiamento de R$ 2,103 bilhões do BB. Até agora, já foram liberados R$ 551 milhões, referentes a projetos que totalizam R$ 3,470 bilhões.
''Isso é um grande avanço em relação ao mesmo período de 2003'', afirma o diretor. Em 2003, o volume de projetos somou R$ 4,707 bilhões. Ele admite, no entanto, que os setores tradicionais que tem uma cadeia produtiva pequena são os que lideram o ritmo dos investimentos. Entre os projetos apresentados à instituição este ano, o setor agrícola responde por R$ 1,025 bilhão, o de transporte e logística por R$ 1,2 bilhão e siderurgia e mineração, por R$ 957 milhões. ''Esses são setores que não têm uma cadeia produtiva grande por trás. No entanto, há um impacto para frente'', ressalta Lima Neto.
''À medida que eles exportam mais, geram emprego e melhoram a renda das pessoas que terão mais apetite para consumir bens duráveis. Com isso, a produção desses bens, que demandam crédito para serem consumidos e bens de capital para serem produzidos, aumenta'', argumenta.
O problema é que esse efeito na economia demora fazendo com que a recuperação dos investimentos em outros setores seja mais lenta. ''O aumento dos investimentos será muito mais lento do que se esperava'', afirma Renato Baumann, diretor do escritório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) no Brasil. Ele ressalta, no entanto, que entre os setores que apresentam bom desempenho exportador está o de automóveis, que tem uma grande cadeia produtiva e poderia estar alavancando mais investimentos. Essa indústria ainda opera com folga considerável na capacidade instalada, o que faz com que os novos investimentos fiquem para um segundo momento.


