Ribeirão Preto (SP) - O setor sucroalcooleiro sofrerá, na safra 2011/2012, uma segunda onda dos efeitos da crise mundial, que se aprofundou em 2008 e prosseguiu em 2009. Há dois anos, a falta de liquidez financeira quebrou usinas no Brasil e gerou uma série de fusões e incorporações de companhias. Aquele momento deixou como herança a ausência de investimentos em tecnologia nas lavouras e a freada na expansão no setor de bens de capital que, agora, terão impacto na oferta de cana, etanol e açúcar no Centro-Sul do País.
Na avaliação de executivos de usinas e de consultores reunidos essa semana em Ribeirão Preto (SP), diante desse cenário de carência de investimentos, a próxima safra de cana na maior região produtora do País ficará estagnada nas atuais 580 milhões de toneladas. A oferta de açúcar pode crescer um pouco, diante dos preços elevados da commodity, mas a de etanol ficará perigosamente estável, para uma demanda crescente pelo combustível no mercado interno.
A crise de matéria-prima só não chegou antes porque a atual safra 2010/2011 foi beneficiada pela oferta extra de cana que deixou de ser cortada no ciclo passado, devido às chuvas que atrasaram a colheita no segundo semestre de 2009. Até 70 milhões de toneladas, 13% de toda a oferta do Centro-Sul, o equivalente a uma safra da Tailândia, só foram processadas em 2010. Mas neste ano, com a estiagem prolongada e o avanço na colheita, a oferta de ''cana bis'', como é chamada, será irrisória em 2011/2012, em torno de 15 milhões de toneladas.
Na avaliação do setor, além da carência de investimentos no trato e na expansão das lavouras e da pequena oferta de ''cana bis'', a próxima safra de cana também será restringida pela estiagem deste ano e pelas queimadas acidentais em lavouras em formação ou recém-colhidas. ''A pressão da falta de investimentos em plantio e em bens de capital vai pesar muito, mas teremos ainda outras sequelas, ou seja, veremos em 2011 a soma de todos os males'', disse Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da consultoria Canaplan, que reuniu o setor em evento na cidade do interior paulista nesta semana. ''Os senhores estão sentados em cima de uma caixa de dinamite'', brincou o consultor, se dirigindo à plateia.

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