Falta de investimento pode desviar carga de Antonina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de investimentos complementares pode desviar cargas frigorificadas do Porto de Antonina para o Porto de Itajaí, em Santa Catarina. Para evitar isso, o Conselho
das Entidades Empresariais do Paraná está reivindicando a construção de um ramal rodoviário entre o Porto de Antonina e a BR-277, que compreende um trecho de 10 quilômetros, que vai reduzir trajeto dos caminhões e evitar transtornos no perímetro urbano de Antonina e Morretes com o trânsito de caminhões pesados.
Ocorre que o percurso desse ramal passa por uma área de preservação ambiental e a construção da estrada está embargada por entidades ambientalistas. A Secretaria de Estado dos Transportes não tem ainda uma solução para o impasse. Se o ramal não for construído, as exportações de carnes de aves e suínos que estão sendo feitas via o porto paranaense poderão ser desviadas para terminais frigorificados em outros estados. ''As indústrias e cooperativas exportadoras de carnes vão buscar o terminal mais barato para o escoamento da produção, para não deprimir o valor da matéria-prima pago ao produtor rural'', disse o assessor econômico Flávio Turra, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Um estudo feito pelo economista e ex-presidente do Banestado Luiz Antonio Fayet está prevendo um avanço significativo nas exportações de carnes de aves e de suínos nos próximos dois anos. No Paraná, o terminal Ponta do Félix, unidade privada que opera no Porto de Antonina, é o mais equipado e moderno do País. Conforme as projeções, as exportações de cargas frigorificadas devem saltar de 230 mil toneladas este ano para 420 mil toneladas em 2005, quase o dobro. Segundo Fayaet, o Paraná lidera nacionalmente as exportações de carnes de aves e, brevemente, liderará as exportações de suínos.
O total das cargas movimentadas no Porto de Antonina, entre os terminais públicos, Barão de Teffé, e privado, Ponta do Félix, que no ano de 2001 foi de 506 mil toneladas, deve chegar a 1,7 milhão em 2005. Esse avanço nas exportações deve ter como suporte a construção de um ramal rodoviário que liga o porto à BR-277, insistiu Fayet.
De acordo com o economista, a carga frigorificada que passa hoje pelo Porto de Antonina equivale à produção de 30 mil famílias no interior do Estado. Se o ramal for construído e o porto for ampliado, mais famílias poderão ser incorporadas ao processo de transformação da produção.


