Falta de infraestrutura já preocupa para 2014
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terça-feira, 14 de maio de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Guarujá - A expectativa de supersafra e de boa rentabilidade da soja no Brasil gera previsão de crescimento de 1 milhão de hectares para o plantio na próxima temporada de verão, conforme a consultoria Agroconsult, o que só aumenta o desafio para solucionar a falta de infraestrutura no País. Se com os atuais 27,9 milhões de hectares o escoamento da produção demora até três vezes mais para chegar à China do que ocorre com os grãos nos Estados Unidos, a ampliação na produção tende a aumentar as filas em estradas e portos brasileiros, o dificulta ainda mais o planejamento dos produtores. Preocupação que ganhou destaque e abriu os debates no Clube da Soja, promovido pela FMC, evento que reuniu no Guarujá (SP) 500 dos maiores sojicultores nacionais na semana passada.
Exemplo da dificuldade em se atualizar a infraestrutura brasileira, o Congresso Nacional tem até amanhã para votar a Medida Provisória (MP) 595/2012, conhecida como MP dos Portos. O projeto patina em Brasília e perderá a validade amanhã, o que atrasaria ainda mais a definição de regras para futuras concessões e autorizações de instalações portuárias (leia mais no box). Isso significa que demoraria ainda mais para que se tenha uma solução para os 52 dias que a soja que deixa a região Centro-Oeste do País demora para chegar à China, segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja). Como o tempo entre colheita nos Estados Unidos e os portos chineses é de 16 dias, nas contas da entidade, o produto brasileiro tem sido preterido pelo concorrente.
Sem regras definidas, o governo federal mantém o modelo de não aplicar recursos em logística e dificulta que a iniciativa privada o faça. No painel "Logística O Valor da Cadeia de Abastecimento", do Clube da Soja, o economista Raul Velloso, ex-secretário do Ministério do Planejamento, apresentou números que colocam o Brasil na cauda do desenvolvimento econômico. O País investe 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, menos que os emergentes México (3,6%), Índia (7,6%) e China (8,3%), ou mesmo abaixo do que os já desenvolvidos Estados Unidos (2,3%). Em qualidade de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias, ele lembrou que os brasileiros aparecem em 107º em um ranking com 144 países.
Velloso citou que o preço do frete em 2012 foi de R$ 195 por tonelada e em 2013 chegou a R$ 320, reflexo da maior demanda por serviços enquanto a oferta segue igual. O presidente da Aprosoja do Mato Grosso, Carlos Fávaro, disse que os US$ 14 por bushel (27 kg) de soja são considerados atrativos no mercado internacional, mas no Brasil, não. "Temos rios navegáveis no centro da produção e não os usamos", disse Fávaro. "Estamos perdendo a oportunidade de virar o maior produtor de grãos do mundo", completou.
Com a opinião de empresário de infraestrutura, o presidente da Hidrovias do Brasil, Bruno Serapião, contou que há falta de segurança jurídica, o que espanta o investidor. "No Brasil, existe uma logística concentrada no caminhão e sem planejamento central."
Clube da Soja
O evento reuniu os principais produtores de soja e entidades representativas. Foi a 3ª edição do Clube da Soja, organizado pela FMC Corporation, uma companhia química norte-americana com produtos nos setores agrícola, industrial, ambiental e de consumo.
*O jornalista viajou para o Guarujá a convite da FMC


