A exportação de móveis no Brasil cresceu 45% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período no ano passado, passando de US$ 288 milhões para US$ 418 milhões. A meta da indústria moveleira é dobrar esse montante até o final de 2004, atingindo US$ 950 milhões.
A falta de infra-estrutura de transporte, no entanto, pode comprometer essa expectativa, segundo o empresário Domingos Sávio Rigoni, presidente da Associação Brasileira do Mobiliário (Abimóvel).
''Santa Catarina é o estado que mais exporta móveis no País e está sem enviar os móveis para o exterior há 45 dias por causa da falta de contêineres. Os negócios com a exportação de móveis aumentaram com o estímulo do próprio governo federal e agora as empresas se deparam com a falta de condições de transporte'', salientou Rigoni.
Outro problema levantado pelos empresários do setor é o aumento crescente na exportação de madeira. ''No ano passado o Brasil exportou US$ 1 bilhão e 766 milhões de madeira, enquanto a exportação de móveis ficou em US$ 661 milhões, ou seja, 3 vezes mais madeira do que móveis. Isso compromete a competitividade do setor porque os móveis passam a ser fabricados em outros países como a China o maior comprador e são vendidos com preços menores tendo em vista os baixos salários pagos aos chineses e a matéria-prima brasileira'', diz Rigoni.
A preocupação dos empresários está sendo levada pela Abimóvel ao ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. ''Vamos cobrar uma ação do governo federal em relação aos problemas de transporte de móveis para o exterior e ainda mostrar a preocupação do setor com o apagão florestal. Santa Catarina já está importando madeira da Argentina. Só no ano passado foram 1 milhão de metros cúbicos'', destacou.
Rigoni disse também que a Abimóvel vai pleitear ao governo mudança na política habitacional para que 10% do valor destinado à construção da casa própria seja usado para a compra de mobiliário. ''Todos que constróem precisam de móveis. Esta ação vai beneficiar muita gente que se submete aos juros do mercado na hora de mobiliar a casa'', justifica.
Empresários do setor participam em Arapongas (37 km a oeste de Londrina) da Feira internacional da Tecnologia em Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira - a FIQ 2004. A feira, que ocorre até a próxima sexta-feira reúne 260 expositores do Brasil e do exterior.

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