A falta de informações financeiras sobre o negócio e a tomada de decisões baseadas em critérios intuitivos estão entre os principais motivos da morte prematura de micro e pequenas empresas. O alerta é do professor Charles Vezozzo, consultor de empresas na área financeira.
O tema desperta preocupação. De acordo com o Sebrae, 50% das pequenas e micro empresas que entram no mercado fecham suas portas nos primeiros dois anos. Para calcular os riscos e aumentar as chances de sucesso do empreendimento, a dica é fazer um plano de negócios.
Segundo o consultor, trata-se de um diagnóstico que analisa a viabilidade da empresa, indicando, entre outros aspectos, as características do mercado, possibilidades de lucro e a necessidade de capital de giro para manter o negócio em funcinamento.
A partir de informações coletadas no mercado, o estudo enumera os aspectos técnicos do empreendimento, incluindo processos de fabricação e equipamentos necessários. Orienta também sobre os aspectos legais e finaceiros, que dizem respeito à legislação, à saúde finaceira da empresa e o quanto precisa vender para atingir custos. Por fim, analisa os aspectos mercadológicos, informando sobre as características dos consumidores, fornecedores e concorrentes.
''Tem que buscar informações antes de tomar a decisão'', aconselhou Vezozzo. Segundo ele, fábricas de velas e fraldas descartáveis são exemplos clássicos de empreendimentos que, até pouco tempo, estavam fadados à falência por falta de planejamento.
''Nesses negócios, a aquisição de matéria prima em pouca quantidade era inviável'', comentou, acrescentando que os empresários só descobriam essa realidade após terem comprado os equipamentos. ''O plano de negócios evita que o empreendedor perca dinheiro.''
O planejamento foi a arma utilizada pelo empresário Laércio João Rockenbach para garantir o sucesso de seu negócio. Proprietário de uma empresa de beneficiamento de confecções, ele lava, tinge e dá acabamento a peças prontas vindas das fábricas. ''Trabalhamos de acordo com as tendências da moda'', explicou.
Ele abriu a empresa em 1986, após fazer uma pesquisa de mercado e constatar que, apesar de a moda exigir acabamentos diferenciados, havia poucas prestadoras de serviço na área. ''Começamos no fundo do quintal'', revelou ele, que hoje emprega 160 pessoas.
Laércio atribui seu sucesso ao planejamento dos investimentos e à constante busca por informações financeiras, o que inclui controle dos custos. ''Fiz vários cursos no Sebrae'', contou o empresário, que costuma recorrer ao serviço de consultores especializados quando tem duvidas sobre o rumo dos negócios.
Mesmo nos períodos de crise, ele programa a utilização do capital para evitar a ociosidade. ''Nunca deixamos de investir'', contou. Outra dica é ''não fazer loucuras'' para garantir entrada de dinheiro. Segundo o empresário, muitos dos seus concorrentes quebraram após fixarem preços abaixo do custo para atrair clientes.

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