São Paulo - O presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), Paul Liu, disse ontem que a ausência de estratégias e definição de focos estão fazendo com que empresas brasileiras corram o risco de perder a grande oportunidade de entrar em um dos maiores mercados do planeta. A China, com cerca de 1,3 bilhão de habitantes, tem hoje um mercado consumidor de pelo menos 400 milhões de pessoas, dimensão que supera os mercados de Brasil e Estados Unidos juntos.
Em entrevista à Agência Estado, durante o intervalo do seminário ''Brasil-China: Uma Parceria Estratégica'', realizado ontem em São Paulo, Liu informou que, entre janeiro e julho deste ano, 23 mil empresas estrangeiras foram autorizadas pelo governo chinês a se instalar no país, com investimentos diretos que devem superar os US$ 56 bilhões.
''Pelo segundo ano consecutivo, a China deverá ser em 2003 o país que mais investimentos estrangeiros diretos (IED) vai atrair no mundo'', disse Liu. No ano passado, a China recebeu US$ 52,7 bilhões em IED, de acordo com dados da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), pulando do sexto lugar, em 2001, para o segundo lugar, à frente da França, Alemanha e Estados Unidos.
Indagado se nesse número existiam empresas brasileiras, o presidente da CBCDE limitou-se a responder que o setor privado brasileiro vem mostrando algum interesse pela China, mas ainda modestamente excessivo. De acordo com Liu, além de empresários japoneses, coreanos, norte-americanos e europeus, os australianos estão desembarcando com grande entusiasmo no território chinês.
Embora reconheça que existam algumas dificuldades para colocar o pé na China, como o idioma e a cultura, Liu disse que esses problemas são superáveis e que a Câmara de Comércio Brasil-China está colocando à disposição dos empresários todo o apoio necessário para o desenvolvimento de seus projetos. ''Faltam, sim, definições estratégicas'', cobrou o executivo.
Velocidade incontrolável - De acordo com presidente da Câmara Brasil-China, o processo de desenvolvimento chinês é tão rápido - mudando de um mês para outro na maior parte dos casos - que o risco de perder oportunidades se torna cada vez maior. O mercado consumidor do país, por exemplo, registra 75 milhões de novos integrantes a cada ano, ou seja meio Brasil a cada 12 meses. Este ano, a economia chinesa deve crescer entre 7,5% e 7,8% apesar da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Severa), que afetou o país no primeiro semestre.
''A China ainda é um mercado a ser conquistado'', afirmou Liu. Ele lembrou, por exemplo, que dos US$ 2,54 bilhões que o Brasil exportou para a China entre janeiro e julho deste ano, mais da metade se refere ao complexo soja e a minério de ferro. De acordo com ele, o Brasil tem mais produtos do que isso para colocar no mercado chinês. Apesar disso, este ano a corrente de comércio entre os dois países deve superar a meta de US$ 5 bilhões. ''Mas o Brasil ainda não representa nem 1% do comércio mundial. Por isso, conclamamos os empresários a colocar também a China entre suas prioridades'', disse Liu.
Liu lembrou também que, em novembro, chegará ao Brasil uma das maiores missões comerciais da China. A comitiva de mais de 100 empresários da Província de Guang Dong será completada com 38 altos executivos das maiores empresas do país de diversos setores. Ele informou ainda que uma importante empresa chinesa do setor automotivo e de autopeças quer ser o braço chinês na venda e distribuição carros e autopeças brasileiras no país. Lui não quis informar o nome da empresa interessada.

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