A aparente indignação dos consumidores com a prática de cartel no setor de combustíveis não se traduziu em denúncias diretos no Procon de Londrina. Segundo o coordenador do órgão, Rodrigo Brum, só houve um caso de reclamação este ano, enquanto na telefonia celular, o número alcançou 679, e no setor bancário, 431. "Acabamos concentrando os esforços nestas áreas", explica.
Brum, no entanto, admite que do ponto de vista da administração municipal, o principal empecilho é a falta de pessoal. "Herdamos uma estrutura administrativa com apenas dois fiscais para fazer frente a um comércio gigantesco. Estamos buscando resolver isso com a transferência de auditores fiscais da Secretaria de Fazenda, enquanto não é possível a criação de cargos por falta de recursos financeiros".
O coordenador também lembrou que o Procon não conta com técnicos em economia e contabilidade para analisar documentos que demonstrem "cabalmente" o alinhamento de preços.
O advogado Marco Antônio Gonçalves Valle, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) especialista em Direito Internacional e estudioso das práticas desleais no comércio, afirmou que a falta de fiscalização do poder público gera uma sensação de impunidade entre os empresários. "É fácil verificar que existe o alinhamento. Basta ir até a vizinha cidade de Cambé que qualquer um vai perceber uma diferença a menos no valor do litro. Sabemos que tantos os postos daqui quanto os de lá trabalham com os mesmos fornecedores", afirmou.
Ele explicou que a ineficiência dos governos no combate ao delito - "por falta de investimentos em pessoal e em estrutura de órgãos como o Procon e o Ministério Público" - são ainda mais injustificáveis quando se calcula o quanto cada consumidor está pagando de imposto ao abastecer. "De cada R$ 3 gastos na bomba, R$ 1 é de tributo", afirma. Valle condenou também a postura passiva dos consumidores, segundo ele incapazes de promover boicotes aos participantes do esquema. "Isso é comum na Europa e nos Estados Unidos mas aqui falta uma conscientização de que isso poderia mudar a realidade", comentou. (L.F.M.)

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