Falta de financiamento reduz venda de máquinas
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A falta de recursos para o programa Moderfrota, do governo federal, que financia a aquisição de máquinas agrícolas, prejudicou as vendas de equipamentos no mercado interno em 2003. No ano, foram comercializadas 39 mil máquinas, volume 8,5% menor que o obtido no ano anterior. A informação é da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O resultado ficou abaixo da expectativa dos fabricantes, que apostavam em crescimento das vendas por causa dos bons resultados obtidos pelo setor agropecuário nos últimos dois anos. De acordo com a Anfavea, o pior desempenho foi registrado em janeiro e no período compreendido entre agosto a novembro. Nestes meses, o Moderfrota ficou inoperante.
Apesar da performance negativa no mercado brasileiro, o setor tem motivos para comemorar. A produção de máquinas cresceu 13,5% neste ano, atingindo 59 mil máquinas. Todo o excedente foi exportado, principalmente para países da América do Sul e América do Norte. As vendas movimentaram US$ 1 bilhão, com crescimento de 43% em relação ao ano anterior. O volume exportado dobrou, atingindo 21 mil máquinas.
Os resultados obtidos pela CNH, que tem fábrica no Paraná e responde pelas marcas Case e New Holland, repetem o cenário nacional. De janeiro a novembro, foram comercializados 7.226 tratores, o que revela queda de 15% com relação a 2002. A venda de colheitadeiras obteve resultado positivo: 2.390 máquinas, com aumento de 3,1%.
Os números das exportações apontam significativo crescimento. As vendas de tratores ao mercado internacional aumentaram 108% (2.540 máquinas). A empresa também exportou 661 colhetadeiras, com incremento de 298% no ano.
Francisco Pallaro, diretor comercial da Case/New Holland para a América Latina, comentou que a estimativa da fabricante era superar a performance do ano passado, no mercado doméstico, em pelo menos 8%. A falta de financiamento, porém, frustrou a expectativa inicial. Para o ano que vem, a meta é manter os resultados obtidos neste ano.
O diretor atribuiu o crescimento das exportações à recuperação econômica dos países do Mercosul. ''A Argentina, por exemplo, não comprou nada no ano passado e voltou a negociar em 2003'', comentou.
A falta de linhas de financiamento não impediu que a revenda Horizon - comerciante da marca John Deere em Londrina - terminasse o ano com resultados positivos. A venda de tratores aumentou 10%, e a de colheitadeiras, 20%. Martin Stremlow, proprietário da loja, comentou que a marca está no Brasil há apenas sete anos. ''Estamos ganhando mercado'', justificou, acrescentando que a expectativa é de melhoria na performance dos próximos anos.
Stremlow afirmou, ainda, que as vendas de máquinas no Paraná sempre superam a média nacional. ''Como as terras são muito caras, o produtor investe em tecnologia'', disse. Ele espera que, no ano que vem, o governo federal ofereça mais recursos para a compra de máquinas agrícolas. ''Se não fosse problema do Moderfrota, nossos resultados teriam sido ainda melhores.


