Falta de financiamento barra exportação
Arquivo FolhaPerspectivasO governo espera crescimento de 15% nas exportações este ano, mas CNI aponta para apenas 10%A dificuldade de acesso a financiamento e as más condições da infra-estrutura e logística do País são, na opinião da indústria, as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras que querem exportar. É o que mostra uma pesquisa feita pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) com empresas de todo o Brasil. O estudo, promovido em novembro passado e divulgado ontem em Brasília, foi encaminhado à Câmara de Comércio Exterior como contribuição ao Programa Especial de Exportações, que deve ser apresentado pelo governo em março.
A análise dos resultados da pesquisa mostrou que as reclamações das empresas diferem de região para região. No Sul e Sudeste, por exemplo, a principal dificuldade para exportar apontada pelos empresários foi a falta de informação.
Na região Nordeste, as barreiras à exportação mais lembradas foram o acesso a financiamento, a organização empresarial e a promoção comercial. Para as indústrias do Norte e Centro-Oeste, o governo deveria priorizar o aperfeiçoamento da logística e infra-estrutura para estimular as exportações.
O governo espera que as exportações tenham um crescimento de cerca de 15% em relação aos US$ 47,7 bilhões exportados no ano passado. No boletim Comércio Exterior em Perspectiva, divulgado ontem, a CNI admite que o acréscimo das exportações possa, de fato, superar os 10%. As vendas ao mercado externo no ano, segundo a análise da confederação, serão estimuladas pelo desaquecimento da atividade doméstica e por ganhos de competitividade das empresas.
Em 97, o País importou US$ 61,3 bilhões, o que representou crescimento de 15,1% em comparação a 96. A CNI prevê que, este ano, as importações cresçam 6%. Isso deve resultar em um déficit comercial de cerca de US$ 5 bilhões. Em 97, o déficit foi de US$ 8,37 bilhões.
Para a CNI, a mudança da banda cambial promovida pelo governo na terça-feira reforçou a expectativa de que a política de gradual desvalorização da taxa de câmbio será mantida.





