Falta de ética afeta a economia
Não é a primeira vez e, pelo jeito, não será a última que Londrina será abalada com escândalos políticos de vários naipes. A cidade já teve um prefeito cassado por improbidade administrativa, dois vereadores renunciaram e outros foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A ética parece andar em falta. Porém, não é apenas no segmento político, mais exposto à mida, que este produto tão necessário para as relações interpessoais, de trabalho e econômicas, anda sumido.
Nestes tempos de declaração de Imposto de Renda, por exemplo, os contadores de todo o Brasil sofrem com a pressão dos clientes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, que precisam fazer a declaração mas que não querem pagar corretamente o imposto devido.
''Temos orientado os contadores filiados ao Sescap-Ldr que não aceitem fazer absolutamente nada que seja fora das regras estabelecidas pela Receita Federal do Brasil. Da mesma forma que nós cobramos dos políticos que sejam éticos e honestos, também precisamos dar o exemplo nas nossas relações familiares, de trabalho e comerciais'', diz José Joaquim Martins Ribeiro, presidente do Sescap-Ldr.
Conforme artigo publicado no site - www.eticaempresarial.com.br - do consultor em Desenvolvimento Organizacional, Antonio Carlos Telles, ''no Brasil, periodicamente, emergem problemas éticos envolvendo instituições públicas e empresariais, que provocam graves crises políticas, e recolocam a ética em debate no País''. A pergunta que ele faz é: qual a importância que as organizações brasileiras atribuem à ética como uma competência gerencial?
''Eu fiquei surpreso quando observei uma pesquisa divulgada em 2003 que perguntava: quais as competências que as empresas mais valorizam no executivo? Razão de minha surpresa? Numa lista de cerca de 20 competências a ética estava ausente. E o trabalho foi conduzido por uma instituição acadêmica brasileira de reconhecimento internacional. Foram consultadas 75 empresas com faturamento médio anual de 1 bilhão de reais'', lembra Telles.
Para o presidente do Sescap-Ldr, as entidades sejam elas empresariais, de classe ou sociais precisam lutar para mudar esta postura que vem desde a época do império. As empresas precisam mostrar para seus colaboradores, fornecedores e também para os consumidores que a ética nas relações deve ser uma virtude e que, quando há respeito entre as partes, todos saem ganhando.
Nas últimas semanas o Ministério Público de Londrina descobriu que alguns assessores de vereadores são pagos com dinheiro público para ficar nos bairros buscando votos para seus contratantes. ''O assistencialismo é um mal e praticamente o princípio de todos os problemas na política. É daí que surge o voto de cabresto, o curral eleitoral. Este ambiente de promiscuidade política dá abertura para que os políticos usem de suas funções públicas para beneficiar este ou aquele ''amigo'', porém nunca o benefício chega para toda a comunidade'', afirma Ribeiro.
O presidente do Sescap-Ldr comenta que o próprio governo abre as portas para o assistencialismo, inclusive no ambiente empresarial. Ele lembra que as empresas, ao invés de pagar melhores salários, são incentivadas a oferecer cestas básicas, vale-transporte, vale-refeição e outros benefícios para seus colaboradores. Estes benefícios não são tributados na folha de pagamento, ao contrário do salário.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





