A Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas) entrou à meia-noite desta quarta-feira (30) em greve de advertência, convocada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), contra o modelo de preços nos combustíveis adotado pela Petrobras e contra as privatizações na empresa. O abastecimento dos distribuidores e dos postos de combustíveis, no entanto, não será prejudicado, garantiu Mário Dal Zot, presidente do Sindipetro PR e SC (Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina), nesta terça-feira (29).

É da Repar que saem os derivados de petróleo (gasolina e diesel) que chegam por trem ao centro de distribuição de combustíveis – o chamado "pool" - de Londrina. O pool local é compartilhado por dois distribuidores de combustível: Ipiranga e Raízen. A BR também opera com base próxima ao local. O biocombustível (etanol anidro e hidratado) chega ao centro de distribuição por caminhões, e é aí que está o problema. Devido à paralisação dos caminhoneiros nas estradas, o estoque de etanol do centro de distribuição pode ficar comprometido. Também pode ficar comprometido o estoque de gasolina, já que à gasolina pura é preciso fazer a mistura de 27% de etanol anidro. Segundo fontes consultadas pela FOLHA, o estoque de gasolina da Ipiranga e da Raízen no pool de Londrina é de cerca de 1,2 milhão de litros, o suficiente para apenas três dias normais.

Nesta segunda-feira, a 9ª Vara Cível de Londrina concedeu liminar ao Sindicombustíveis-PR que garante o "livre carregamento e transporte" no pool de combustíveis de Londrina. Assim, os postos da cidade já começaram a ser reabastecidos. Em Londrina, porém, a greve dos caminhoneiros continua em situação indefinida com pontos de obstrução nas rodovias.

Imagem ilustrativa da imagem Falta de etanol aumenta risco de desabastecimento



GREVE DOS PETROLEIROS
Devido à greve dos petroleiros, Dal Zot, do Sindipetro, afirma que "não há risco de desabastecimento", pelo menos nas primeiras 72 horas. Após esse período, a paralisação dos terminais deverá ser reavaliada, afirma o presidente. "Não vamos barrar a entrega de combustível. Se houver avanços na política de preços e de gestão, não temos motivos para isso."

A greve dos petroleiros é contra o aumento abusivo dos preços dos combustíveis e gás de cozinha; contra a privatização da empresa; pela retomada da produção interna de combustíveis; pelo fim das importações da gasolina e outros derivados de petróleo, pela garantia dos empregos e pela saída imediata do presidente da Petrobras, Pedro Parente. As unidades mobilizadas nesta greve no Paraná são a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária; Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul; e Terminal Aquaviário de Paranaguá (Tepar).

Em nota, o Sindicombustíveis-PR considerou "inoportuna" uma greve neste momento. "Acreditamos que uma nova greve, neste momento do país, seria totalmente inoportuna. Ainda é gravíssima a situação de abastecimento do país, tanto de combustíveis como de outros bens que dependem disso, de comida até produtos para saúde."

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