Falta de eficiência energética consome até 10% do faturamento

Fiep promove séries de palestras para facilitar acesso de empresários de Londrina e Arapongas a linhas de crédito para geração de eletricidade e substituição de maquinário

Fabio Galiotto - Grupo Folha
Fabio Galiotto - Grupo Folha


Workshops na região contaram com agentes financeiros do BRDE e da Fomento Paraná
Workshops na região contaram com agentes financeiros do BRDE e da Fomento Paraná | Gina Mardones - Grupo Folha
 


A crise econômica brasileira criou no industrial a necessidade de cortar gastos para aumentar a competitividade, o que gerou interesse maior por linhas de crédito para eficiência energética, segundo a Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná). Esse custo chega a 10% do faturamento no setor, o que fez com que o NAC/PR (Núcleo de Acesso ao Crédito do Paraná) e o Conselho Temático de Energia da entidade promovessem, em Londrina e Arapongas, dois workshops com empresários interessados em saber mais sobre possibilidades e financiamentos para geração ou substituição de equipamentos. 


A energia é um dos principais insumos na indústria de transformação, com impacto significativo em segmentos como o de madeira, metalurgia, produtos têxteis e minerais não metálicos. Por isso, muitas empresas passaram a adotar a geração própria por meio de painéis fotovoltaicos, por exemplo, ou a troca de equipamentos ou mesmo lâmpadas para reduzir custos. 




O problema é que falta informação aos industriais em geral, que podem obter linhas de crédito subsidiadas, com taxas de juros que começam em 0,33% ao mês e prazos de pagamento que vão de cinco a 20 anos, diz o responsável pelo NAC da Fiep, João Baptista. “O empresário tem essa demanda grande por energia e, ao mesmo tempo, temos o governo incentivando as empresas a montarem o próprio projeto de eficiência energética”, cita.


Além de representantes da Fiep, os participantes acompanharam palestras com agentes financeiros do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento Econômico do Sul do País) e da Fomento Paraná. Baptista considera que, de acordo com o porte da empresa e o tamanho do projeto, é possível até economizar já a partir da implantação do projeto. “Se pegarmos um industrial, pode ser da panificação ou de plástico, ele pode produzir energia, zerar essa conta para pagar somente a taxa mínima da Copel e abater com uma prestação até menor, por exemplo, com carência e prazos alongados”, exemplifica. 


Ele lembra que até micro e pequenas empresas têm condições de obter financiamentos, com carência que vai de seis meses a dois anos. “Tivemos no evento a presença de um representange da Weg [Motores], que mostrou que a simples troca por motores mais modernos já se paga”, diz Baptista. 


Segundo estudo da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), a média de idade de motores elétricos no setor é de 17 anos e há possibilidade de obter linhas também para a troca. “Tivemos mudanças tecnológicas nos últimos anos e o Brasil terá de enquadrar a partir de 2020 em uma legislação que existe desde 2005 e obriga o fabricante a oferecer motor com eficiência maior, que produz a mesma coisa e gasta menos”, conta o coordenador do Conselho Temático de Energia da Fiep, o engenheiro eletricista Rui Londoro Benetti. 


Apesar dos percalços da crise, Baptista lembra que existem formas de superar obstáculos e que a Fiep oferece toda a assessoria na formatação do projeto. Ele cita que nem todos estão com as contas em dia e que há necessidade de garantias, mas que há a possibilidade de ter apoio de sociedades garantidoras de crédito e de fundos garantidores de investimento


O empresário Leopoldo Pegoraro: "Há recursos que vêm da Europa , que se encaixam bem nos projetos que temos feito"
O empresário Leopoldo Pegoraro: "Há recursos que vêm da Europa , que se encaixam bem nos projetos que temos feito" | Gina Mardones - Grupo Folha
 


RECURSOS DA EUROPA

O empresário Leopoldo Pegoraro, da indústria de geradores de energia em Londrina Leão Energia, foi ao evento em Londrina porque oferece empreendimentos de geração a partir de biogás, para suinocultores.


“Às vezes não temos noção, mas uma coisa que me chamou a atenção foi que há recursos que vêm da Europa e outros, especificamente, da França, que se encaixam bem nos projetos que temos feito e que podemos oferecer”, diz.


Pegoraro considera as linhas ofertadas muito interessantes. “A partir de 3,8% ao ano é um dinheiro 'de graça', subsidiado, que vai render ao menos 15% em uma operação de geração de energia.”


Os workshops da Fiep são promovidos nas 12 unidades da Casa da Indústria. Os próximos eventos serão nesta quarta-feira (14), em Maringá, na próxima terça (20), em Cascavel, e no dia 27, em Curitiba. Baptista afirma que mais informações podem ser obtidas nas redes sociais do NAC/PR, no endereço eletrônico fiepr.org.br/credito, pelo telefone (41) 3271-9082 ou pelo e-mail [email protected] O serviço é gratuito aos empresários do setor.

Tudo sobre:


Continue lendo


Últimas notícias