‘‘O governo está apaixonado, embriagado pela sedução da inflação zero, mas este caminho está deteriorando o setor produtivo brasileiro’’, advertiu ontem o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Gilman Vianna Rodrigues. A falta de uma maior disciplina nas importações ainda é um assunto de destaque nas conversas entre produtores e empresários do setor leiteiro, que participam de congresso promovido pela Faemg.
Segundo Rodrigues, o governo federal ainda não conseguiu disciplinar as importações de uma maneira geral. Para ele, é necessário, no curto prazo, transformar as atuais medidas de fiscalização das importações de leite (barreiras técnicas) em ações permanentes. ‘‘Estamos trabalhando agora neste sentido’’, disse.
Os produtores de leite estão apostando que a determinação de um preço de referência junto com estas barreiras técnicas definidas para barrar as importações do produto poderão contribuir significativamente para o enxugamento do excesso de oferta do produto no mercado interno, o que equilibrará os ganhos durante a safra.
De acordo com o último levantamento feito pela Faemg em julho, foram importadas 29 mil toneladas de leite em pó, caindo para 12,8 mil em agosto e 11,5 mil em setembro. Ainda assim, as importações este ano devem superar o volume importado em 97. Só no primeiro semestre deste ano as importações cresceram 20,7% em comparação ao mesmo período de 97.
No ano passado o País importou 1,81 bilhão de litros de leite. A produção interna é de 20,3 bilhões de litros ao ano, a demanda gira em torno de 22 bilhões de litros.
Ministério O presidente da Faemg foi cético com relação à possibilidade da criação do Ministério da Produção alterar positivamente as perspectivas futuras para o setor agropecuário brasileiro. ‘‘O que muda são as atitudes, não são os títulos, ninguém se valoriza com o rótulo de uma instituição, para mim a criação do ministério não muda nada’’, vaticinou.
O Congresso sobre o setor leiteiro foi aberto ontem no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte. Durante os dois dias do evento, os participantes estarão discutindo cenários futuros sobre o setor leiteiro. ‘‘O enfoque é discutir o conceito de cadeia produtiva’’, explica Rodrigues.

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