Embora os importadores de derivados de leite se queixem que a queda do real tem ‘‘subtraído’’ a competitividade dos produtos estrangeiros, a importação continua preocupando as lideranças dos produtores brasileiros. Principalmente porque o governo não fixou critérios - ou se fixou eles não são cumpridos - para as mercadorias que vêm de fora. Na última quinta-feira, o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, deu um exemplo desse tratamento generoso aos importados. Ele mostrou uma lata de leite em pó com imperfeições nas informações de rótulo que, se não configuram irregularidades, pelo menos mostram falta de critério.
A embalagem informa que o produto é elaborado pela Sencor da Argentina, em Santa Fé, distribuído pela Sencor do Brasil, de São Paulo, e tem como representante comercial uma empresa de Curitiba. Até aí nada de errado. O que intriga é que o telefone de atendimento ao consumidor é na Argentina, quando seria melhor que fosse no Brasil, já que, habitualmente, os telefones de ‘‘atendimento ao consumidor’’ pressupõem que a empresa quer facilitar o acesso às informações. O presidente do Sindicato e o presidente da Confepar, Osmar Buzinhani, apontam outra ‘‘curiosidade’’: tentando prestar serviço ao consumidor, a marca publica um calendário de vacinação, em espanhol e com datas que não ‘‘batem’’ com o calendário brasileiro.
Por menos do que isso, um produto brasileiro no exterior poderia ser notificado ou retirado do mercado.
A Folha procurou a empresa Jazmin, através de telefone, mas não conseguiu contato.
Os produtores brasileiros não temem a concorrência dos importados. Querem igualdade de tratamento. Dias atrás, também o presidente da Comaves, Paulo Muniz, apontava a falta de critérios para importação, no caso, de carnes. Ao mesmo tempo, destacava o rigor do tratamento dispensado aos produtos brasileiros pelos países importadores. Os critérios deveriam ser os mesmos, defende Muniz. Ele fala com a experiência de exportador e dirigente de empresa que tem filial no exterior (Argentina); é presidente da Avipar (que representa os abatedouros e produtores avícolas do Paraná) e vice-presidente da União Brasileira de Avicultura (UBA).Mário CésarFronteira livreO presidente do Sindicato, Edison Ponti, e presidente da Confepar, Osmar Buzinhani: falta de critérioDa Redação

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