A falta de crédito para médios e grandes produtores plantar a safra de verão está preocupando as cooperativas do Paraná. Se o governo não adotar medidas emergenciais nesta fase de turbulência financeira, os efeitos da crise começarão a se manifestar assim que passar o período de chuvas. Isso porque os sojicultores irão a campo para plantar a safra 98/99, mas terão dificuldades de recursos para o custeio. Para reverter rapidamente a situação, a Ocepar propõe a criação de um grupo de trabalho com a participação de representantes da Frente Parlamentar da Agricultura e do governo para encontrar soluções para a questão.
A Ocepar alerta ao governo federal que se nada for feito, a produção agrícola passará por um período de estagnação que poderá comprometer ainda mais o seu desempenho. O que as cooperativas temem é que a totalidade dos recursos anunciados para a safra 98/99 (R$ 10,5 bilhões), não seja aplicada no setor em função dos cortes de gastos.
Alerta Para evitar o agravamento da crise, a Ocepar recomenda ao produtor que evite tomar empréstimos indexados na variação cambial e operações de comercialização que travam os preços de vendas futuras em real. As operações recomendadas são aquelas que antecipam receitas em reais para entrega futura da safra como as CPRs (Cédula do Produto Rural) e as transações com as indústrias e cooperativas que antecipam os insumos em troca da produção futura. Com a antecipação da receita, os produtores fogem dos juros de mercado, que estão variando até 6% ao mês. ‘‘ Essa taxa de juros representa 50% do custo de produção e não tem atividade que permite essa rentabilidade’’, alertou o engenheiro agrônomo da Ocepar, Nelson Costa.
fez essas recomendações diante da possibilidade de o Brasil desvalorizar a moeda, conforme preconiza o FMI. ‘‘ Se a medida é maléfica para quem tem empréstimos com variação cambial, por outro lado vai estimular novamente as exportações, que tiveram uma queda visível desde a crise asiática, quando os produtos brasileiros perderam competitividade no mercado internacional’’, explicou. Costa citou como exemplo as exportações de frango, que tiveram uma queda de 25,1% desde outubro de 97 para cá. Neste período o frango brasileiro que tinha um excelente mercado no Japão foi substituído pelo frango tailandês desde que o país fez uma desvalorização de 50% este ano.
Sem opção O outro caminho é o corte de gastos do governo que poderá afetar o custeio da safra de verão. Segundo Nelson Costa, apesar de o governo insistir que não haverá cortes no setor, o fato é que o médio e grande produtor que financia acima de R$ 40 mil não tem alternativas de crédito.
Isto porque não existe mais a certeza de que os recursos previstos para atender este segmento, de R$ 2,5 bilhões oriundos da ‘‘63 caipira’’, serão efetivamente aplicados. Costa explicou que a permissão para aplicar em títulos públicos até 100% dos recursos oriundos dessa fonte, praticamente inviabilizou essa alternativa de crédito.
Por outro lado, a Ocepar também teme pelos médios produtores que tomam recursos em valores inferiores a R$ 40 mil, pelo crédito rural com juros subsidiados de 8,75%.
Na avaliação de Costa, o plano de safra editado pelo governo reservou R$ 500 milhões para fazer a equalização dos juros. Na avaliação da Ocepar, com a disparada dos juros para cerca de 6% ao mês, o governo vai equalizar menos recursos do que poderia antes da alta dos juros, fato que poderá deixar muito produtor sem acesso ao crédito.

mockup