Rio de Janeiro A dificuldade de obtenção de crédito pode se tornar o principal empecilho para os estaleiros nacionais concorrerem com os internacionais na construção das plataformas de exploração de petróleo P-51 e P-52. Os equipamentos estão sendo licitados pela Petrobras, num projeto de cerca de US$ 1 bilhão.
''Nenhum estaleiro nacional tem condições de assumir as garantias exigidas para um eventual financiamento deste porte. Se a Petrobras não assumir as garantias, a verba não sai'', afirmou um técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No ano passado, um imbróglio financeiro envolvendo o BNDES, Transpetro e IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) impediu que o banco liberasse um financiamento de US$ 240 milhões para a construção de quatro navios. O Estaleiro Ilha S.A. (Eisa) ganhou a concorrência para a construção, mas a Transpetro não assumiu a garantia para o financiamento e o IRB não obteve recursos para o resseguro internacional.
Segundo o técnico, já estaria sendo acertado com o novo governo a possibilidade de a Petrobras assumir essa oferta de garantias ao BNDES para incluir os estaleiros nacionais no páreo, sem desvantagem para investidores internacionais ou mesmo consórcios formados com a participação de estrangeiros. A estratégia tem a finalidade de cumprir o compromisso de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de manter no País a maior parte das encomendas para a construção de plataformas.
No edital lançado pela Petrobras no ano passado para a construção da P-51 e P-52, havia sido divulgada a preferência por estaleiros que apresentassem condições favoráveis à obtenção de financiamento. Segundo o texto do edital, contaria pontos para o interessado na construção não somente o orçamento apresentado para a obra, mas também a possibilidade de contratação de empréstimo já analisada por uma instituição financeira, nacional ou internacional.
O diretor da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eloi Fernadez y Fernadez, diz que acertos estão sendo feitos para evitar que as plataformas sejam construídas fora do País. ''Não há a menor possibilidade de o projeto sair do Brasil. Se não houver condição financeira, o governo vai ter de se desdobrar, mas as plataformas terão de ser construídas aqui'', comentou, tentando amenizar o fato de que, do total de 12 empresas convidadas para participar da licitação, apenas três nacionais (as construtoras Andrade Gutierrez e Odebrecht e o grupo Fels Setal) confirmaram o recebimento do convite.
Segundo um gerente da estatal, as empresas nacionais teriam condições de arcar com até 80% do conteúdo de materiais necessário para a construção das plataformas. Especialistas admitem que a própria obra teria este limite técnico no País.

mockup