Falta de crédito pode afetar preços
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domingo, 09 de setembro de 2001
Agência Folha 
A redução do volume de financiamento imobiliário para a classe média poderá mexer tanto com os valores do mercado de compra e venda como nos de locação residencial. Mas há controvérsia sobre como seriam esses efeitos.
No dia 31 de agosto, a CEF (Caixa Econômica Federal) anunciou que, devido à falta de recursos, deixou de financiar imóveis para quem ganha acima de R$ 2.000 ao mês. A instituição respondia por cerca de 50% do total de empréstimos imobiliários destinados à classe média no País.
Essa notícia só veio piorar um quadro que já não era bom. Desde o início de 2000, os bancos privados vêm restringindo o financiamento habitacional para a classe média.
Segundo Roberto Capuano, ex-presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis), nos últimos meses, cerca de 70% das vendas do setor têm dependido de financiamento.
Como estamos em meio a um período de desaceleração econômica, explica, um corte como o que está sendo feito acaba tendo reflexos ''horrorosos''. ''Pára tudo, da construção de novas unidades à venda de imóveis usados'', diz. Na sua opinião, poderá ocorrer uma sobrevalorização dos imóveis com financiamento e desvalorização dos demais.
Ele também diz acreditar que os valores de locação poderão subir. Isso porque parte da população que estava pensando em adquirir um imóvel com financiamento terá de recorrer ao aluguel.
Beatriz Ferreira, consultora da área imobiliária do site Dinheironet, acha que poderia haver reflexos nos preços, como os citados por Capuano, mas não prevê que isso venha a acontecer. ''O mercado levará algum tempo para sentir a redução do financiamento. Até lá, alguma solução deve ser encontrada.''
José Ferreira Gringo, diretor da Ricci Engenharia, não tem dúvida de que o corte nos financiamentos prejudica o mercado, mas não espera alterações nos preços. ''Acho que as construtoras e incorporadoras vão deixar de produzir imóveis novos, reduzindo a oferta e a concorrência. Para os profissionais consultados, a alternativa à atual falta de dinheiro seria estimular o SFI (Sistema Financeiro Imobiliário), cuja fonte de recursos são títulos emitidos para investidores, e o setor de fundos imobiliários.
Na quinta-feira, 6, algumas medidas foram anunciadas para aperfeiçoar o SFI. A questão, dizem os profissionais, é que, além de regras adequadas, esses mercados só crescem em um ambiente de taxas de juros baixas. ''Enquanto o governo continuar pagando juros altos para vender os seus títulos, poucos serão os investidores que se interessarão em financiar empreendimentos imobiliários'', afirma Gringo.


